O papa

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São Pedro e São Paulo, celebrados solenemente no dia 29 de junho pela Igreja, são dois personagens fundamentais do início do cristianismo. Escolhidos para a missão evangelizadora, passaram por um processo de conversão. Eram tementes a Deus e observantes dos mandamentos da primeira Aliança. O encontro com Jesus Cristo exigiu que se convertessem ao seu modo de pensar e agir. Foi um processo lento, progressivo e, às vezes, difícil e conflitivo. Criaram uma intimidade com Cristo ao ponto de Pedro poder dizer: “Senhor tu sabes que te amo” e Paulo: “Para mim o viver é Cristo”. Diante deste amor incondicional Pedro recebe de Cristo o primado sobre o Colégio dos Apóstolos. Ambos, Pedro pela cruz e Paulo pela espada, sofreram o martírio na cidade de Roma.
São duas colunas que fundamentam e projetam luz para a missão da Igreja no tempo presente e, em especial, sobre a missão do papa. A Igreja Católica tem uma legislação universal que está contida no Código de Direito Canônico. O código tem por finalidade criar uma ordem na vida eclesial e facilitar o desenvolvimento orgânico da Igreja, portanto não abafa e nem substitui a fé, a graça, os carismas e nem a caridade dos fiéis. A missão do papa é apresentada nos cânones 330 a 335, que na lei civil chamamos de artigos. O papa também é chamado de Romano Pontífice, Sumo Pontífice, Santidade, Santo Padre, Vigário de Cristo.


A missão e o poder do papa vêm da “eleição legítima por ele aceita”. Os cardeais eleitores começam o processo eletivo do papa com um discernimento da realidade mundial e da Igreja. Não existem candidaturas de quem almeja o papado. Por isso, ninguém se torna papa porque quer, mas por ser eleito. Como nenhuma missão pode ser atribuída contra a vontade, o eleito deve aceitá-la livremente. O papa eleito pode dizer sim ou não.


O eleito, em primeiro lugar, torna-se o bispo da Igreja de Roma assim como São Pedro foi escolhido para ser o primeiro entre os apóstolos. Por ser o bispo de Roma, o papa também torna-se a cabeça do Colégio dos Bispos e aqui pastor da Igreja exercendo deste modo o liderança sobre toda a Igreja Católica. Também exerce a função de chefe do Estado da Cidade do Vaticano.


O Romano Pontífice realiza sua missão em comunhão com Colégio dos Bispos, que é formado pelo papa junto com os bispos do mundo inteiro. O modo mais solene se dá no Concílio Ecumênico no qual participam todos os bispos. De maneira mais comum o papa é auxiliado pelo Sínodo dos Bispos, pelos Cardeais, pela Cúria Romana e pelos legados Pontifícios ou Núncios Apostólicos. A legislação da Igreja sobre o exercício do pontificado parte do princípio da colegialidade e da comunhão fazendo do papa o vínculo da unidade, da caridade e da paz.


A missão do papa é muito superior às qualidades humanas dos eleitos. Eles são cientes disso e não é por nada que o papa Francisco repete insistentemente que rezem por ele. São João Paulo II, numa entrevista disse: “Pensando bem, o significado de cristão é muito mais rico que o de bispo, mesmo que seja o Bispo de Roma”. Bento XVI, na entrevista publicada no livro ‘Luz do Mundo’, tem várias afirmações nesta direção: “O Papa é, por um lado, um homem totalmente impotente. Por outro, detém enorme responsabilidade... Ainda tenho muito mais motivos para rezar e para me entregar totalmente a Deus, porque vejo como quase tudo o que tenho de fazer é algo que eu próprio não sei fazer”.

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