O tempo é por demais fugaz

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Meu nome é Jorge Anunciação; nasci em 05 de maio de 1957, quinze para o meio-dia de um domingo, no Hospital Santa Lúcia de Cruz Alta; fui assistido pelos Drs Jorge e José Wesphalen Correa. Sou o mais velhos dos seis filhos de Jorge e Miguelina Anunciação. Vivemos na então capital nacional do trigo até 1970 quando, militar, meu velho foi transferido para Passo Fundo e aí vivemos até 10 de maio de 1976 quando, em nova transferência minha família, menos eu, foi embora para Blumenau. Estudei no Cenav, comecei a namorar em 1974, entrei na faculdade em 1976 e me formei em 1982. Prestei serviço militar em Santiago e voltei ao São Vicente para fazer residência em Cirurgia Geral. Casei em 1987 com minha sexta namorada, meu filho Ramon nasceu em 1991 e Georgia em 1994. Em 1999 fundamos o serviço Samur de emergências pré-hospitalares. Fui intensivista durante 10 anos e médico-legista por 3 anos.


Conforme sua velocidade de leitura contei minha vida em torno de 1 minuto. Lembrei da fugacidade das coisas nesse fim-de-semana ao sorver chimarrão no parque da gare. Tudo é tão dinâmico e eu pensava na vida enquanto lia Memórias do Presente, da Publifolha, comprado em outubro de 2005 na Livraria Catarinense, em Floripa. Trata-se de uma coletânea de entrevistas que leio devagar e neste fim-de semana, enquanto minha mulher estava em São Paulo, programei de colocar a leitura em dia. Li Roberto Campos, Celso Furtado, Florestan Fernandes, Paulo Vanzolini, Jarbas Passarinho e Marcelo Rubens Paiva. É preciso entender o Brasil e para isso temos que saber de suas Raízes (Raízes do Brasil, Sergio Buarque de Holanda, 1936), Casa Grande & Senzala (Gilberto Freyre, 1933) e Formação do Brasil Contemporâneo (Caio Prado Jr, 1942). Acrescentaria Os Donos do Poder (Raymundo Faoro, 1958). Por que isso? Porque estamos inseridos num contexto político e social, somos decorrentes de estratégias econômicas e falta de planejamento de médio e longo prazos para o país.


Quando era garoto tinha ideias deturpadas, porque o adolescente é dual. O capitalismo selvagem (riqueza e miséria caminhando lado-a-lado) como poderia existir. Como acabar com ele? De duas maneiras: ou socializar a riqueza (distribuí-la) conforme os conceitos marxistas ou evolução social sobre a miséria criando as inserções necessárias. Como se faz isso num estado paquidérmico e sugador onde tudo recolhe e que sobre tudo é o nosso sócio usurpador sem a devolução paritária? É questão complexa, sujeita à análise dos especialistas.


Na gare, lembrei, como se fosse ontem o acontecido, de uma aula de parasitologia em 1977, proferida pelo saudoso professor Giovani Panassolo. Entre lágrimas contou sua vida, suas dificuldades, suas lutas, sua tardia formatura na faculdade e concluiu – o tempo é por demais fugaz.


Tudo é tão rápido. É melhor reservar um lugarzinho na gare, nos bares, nos motéis, nos bailes e...sobretudo nos corações das gentes que amamos.

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