Os Du Bois

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Tânia e Pedro Du Bois, apesar de radicados em Balneário Camboriú, SC, têm vivenciado, como poucos, a cena literária em Passo Fundo,nos últimos anos. São assíduos frequentadores das Jornadas Nacionais de Literatura, das Feiras do Livro, geralmente com lançamento de obras, dos eventos que ocorrem na Academia Passo-Fundense de Letras e são colaboradoresdo Projeto Passo Fundode Apoio à Cultura. Mas, não obstante tudo isso, exceto pelos familiares e alguns amigos dos tempos que a cidade ainda era uma aldeia e pelos frequentadores desses mesmos circuitos culturais passo-fundenses, talvez, esse casal de escritores e sua obra não sejam tão conhecidos assim (não no nível que merecem). Então, me permitam apresenta-los.


Pedro Du Bois,ex-bancário, poeta e contista, nasceu em Passo Fundo e descobriu, no alvorecer do século XXI (em2001), que escrever seria o seu destino. Escritor prolífico, foi vencedor, em 2005, na categoria poesia, do 4º Prêmio Literário Livraria Asabeça, com o livro “Os objetos e as Coisas”. No rol dos seus muitos títulos, à guisa de exemplo, elencamos:A casa das gaiolas (2005), Via rápida (2012), O senhor das estátuas (2013),O descrédito e o vazio (2014), Tânia (2015), Coleção de palavras (2017) e Imagem & Reflexo (2018).


Tânia Du Bois é natural de Sarandi. Formada em Pedagogia, tem se destacadocomo organizadora e revisora de textos, capista de livros e cronista da poesia do cotidiano. Qualificam-na como cronista de escol, os livros Amantes nas entrelinhas (2013), O exercício das vozes (2014), Autópsia do invisível (2015), O eco dos objetos: cabides da memória (2016), Vidas desamarradas (2017) e Eles em diferentes dias (2018).


Da vasta produção poética de Pedro Du Bois, escolhi, para compartilhar com os leitores dessa coluna, os versos do poema (Des)Importâncias (do livro Imagem & Reflexo. Passo Fundo, 2018. p. 11.): “Com relativa importância/legamos conhecimento/ao futuro//Impávidos descendentes/dos deuses/da ciência/e da nossa verdade//na relativa (des)importância/insetos seguem/voando ao redor das luzes/onde se multiplicam/sem vaidades//utilitários ascendentes/transferem aos novo/o necessário para a vida”. E, em meio à diversidade das crônicas de Tânia Du Bois, selecionei um excerto de Segredos de liquidificador (do livro O eco dos objetos: cabides da memória. Passo Fundo, 2016. p. 28-29.): “Se a poesia é instrumento da alma, não a posso deixar no silêncio que grita por espaço na literatura. Aí, de fato, digo que depende do modo como leio a poesia ou ouço a música; participo, vivencio momentos de emoção que despertam a minha atenção para se transformar em magia. (...) Muitas vezes me descubro moldada para escutar o som barulhento do dia a dia, onde leio o manual de sobrevivência e nada me acontece, sobrando apenas o som do liquidificador, sem segredos”.


Na 32ª edição da Feira do Livro de Passo Fundo, em 2018, Tânia e Pedro foram protagonistas de um episódio inusitado,que teve a participação do escritor, poeta, publicitário e, não por acaso, patrono do evento, Luiz Coronel.Entre as características do casal Du Bois, sobressai-se, depois do talento para a escrita, a generosidade em presentear escritores e amigos com os livros que publicam. Na lista dos que costumeiramente recebem os livros do casal Du Bois, especialmente os assinados pela Tânia, consta o nome de Luiz Coronel. Eis que, diante da presença do escritor na Capital Nacional da Literatura,os Du Bois, logo apósa cerimônia de abertura da Feira do Livro, decidem cumprimentar o ilustre patrono. Tânia, como de costume, toma a dianteira. Aproximam-se do escritor e, antes queconsigam falar qualquer coisa, Luiz Coronel abre um sorriso e diz: - Oi Tânia, como vai? E, segundos depois, dirigindo o olhar para Pedro, complementa: - Você deve ser o Paulinho. Tudo bem? Mestre, esse Coronel! Gênio da raça! Passado o acontecimento, há quem diga que Tânia Du Bois, até hoje, não caminha, apenas flutua a um palmo acima do chão, nos passeios matinais pela Avenida Atlântica em Balneário Camboriú.

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