Passo Fundo cresceu

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Lembro de quando cheguei a esta cidade (1954). Não conhecia casa de alvenaria até os seis anos, quando morava em Santa Cecília. Quando fomos morar na Avenida Mauá (av. Presidente Vargas), as casas eram de madeira e a rua tinha uma pista só, sem pavimentação. Wolmar Salton era o prefeito e realizou importante obra de aterro abrindo duas vias na avenida e o calçamento em paralelepípedos. Até então (1957) carroças faziam o transporte. Havia emoção na passagem rara de automóvel ou caminhão, no barro ou na poeira.


Rádio
Na Rádio Passo Fundo ecoavam as notícias, as canções de Vicente Celestino, Tonico e Tinoco, e sucessos da época. O Clube do Titio, do Jorge Gehradt, sonho de infante. Nem pensava em falar no rádio, mas era empolgante ouvir as vozes: “Xarope Peitoral de Angico Pelotense”, “não adianta empurrar, seu carro está pedindo bateria Heliar”! Assim corria o dia, até que se chegava à hora de Ave Maria, na ZYF -5, Rádio Passo Fundo. Solene era A Voz do Brasil. No cinema Real aguardava-se com impaciência a seção de matinê, ouvindo Piazito Carreteiro. Primeiro foram seções do cineminha do SESI, na Vila Cruzeiro, ao ar livre. Nos fundos da Catedral o Monsenhor Chiaramonti rodava filmes, em preto e branco.


Casas
Imponentes eram algumas casas e não havia edifício além de quatro andares. No campo da Hidráulica ou no Campinho da Maria Alemoa, havia espaço generoso para o futebol. Na atual Vila Lucas era mato nativo com pinheiros e grápias enormes. Na atual rua São Lázaro, valas onde corriam riachos nutridos por olhos de água. Muitas águas límpidas e vegetação fechada. Muitas frutas silvestres. Esta infância deixou saudades.

 

A praça
A gente de vila via o centro da cidade com encanto, principalmente o lago e o chafariz em jatos iluminados. Mais tarde, a Cuia monumental. Nos quadrantes da praça os carros de aluguel, os mais novos eram modelo 1952, Ford e Chevrolet. Carroças e charretes formavam pontos de referência para estacionar ou para frete. Peri era o guarda que impunha disciplina na Tamandaré. Na Semana Santa havia o futebol da gurizada, em silêncio.


O trem
Meu pai e o saudoso Armando Rosso iniciaram negócio com depósito de banana, ao lado da Gare. Vivíamos por ali entre as névoas das máquinas a vapor, leviatãs de ferro, e víamos a chegada do trem passageiro. Tocar e se pendurar num vagão era excitante, apesar de proibido.

 

E hoje
Então, eis aí Passo Fundo! Cidade majestosa, com 161 anos de emancipação, pulsando vidas, trabalho, religião, lazer e produção. Por tantas razões, pelos estudos básicos na escola Menino Jesus, ao lado do Escolasticado Sagrada Família, conhecendo as primeiras letras, a memória é emocionante. Hoje somos um dos maiores centros de educação superior, pólo de saúde e agropastoril. A indústria e comércio fortes. A natureza é generosa com suas águas e as auroras, ou o por do sol; os ventos nos convidam a ficar, nesta querência de luta, trabalho e busca pela felicidade. A chegada de africanos que aqui se estabeleceram, mostra nossa hospitalidade. E temos muita esperança para evoluir de verdade, com espaço para os que aqui nascem ou chegam de longe. Floresceram os trigais e depois a soja. Laticínio e abate de aves somam-se à indústria que cresce.

 

Lideranças
Os movimentos históricos revelam trajetórias de grande valor para a comunidade, superando percalços. O prefeito de Passo Fundo, Luciano Azevedo, sucede boas referências administrativas e realiza gestão com importantes avanços em todos os segmentos. O grau de fidelização ao interesse público consagra o ânimo de progresso social. Uma das características de Passo Fundo é a diversidade de fontes de produção e oportunidade de trabalho e renda, superando as crises que possam dificultar eventualmente algum setor. É bom ser passo-fundense!

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