Salário-mínimo no patíbulo

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Depois de garantida a remuneração das castas salariais oficiais incólumes ao sacrifício reservado à grande maioria de baixo salário, tudo pode ficar mais cruel do que se pensa. Os tetos salariais exuberantes nos três poderes estão justificados pelo princípio considerado absoluto do direito adquirido. O movimento oligárquico põe no banco dos réus o salário-mínimo. Não bastasse a manipulação de dados que dilapidam o poder aquisitivo do trabalhador, o governo prenuncia a desvinculação do salário-mínimo dos índices inflacionários. Já advertia Leonel Brizola que o desemprego fragiliza a correlação de forças entre o trabalho e capital. E a maioria trabalhadora solapada pela miserável oferta de mão-de-obra é indigitada como causadora da crise no empreendedorismo nacional.

 

O crime do achatamento
Não falamos aqui no estado de desgraça que atinge 13 milhões de brasileiros desempregados. Desemprego é degeneração da pobreza. Como em vários ensaios de desatino governamental, haverá desmentidos dizendo que o presidente da República não autoriza a versão do achatamento como medida drástica para melhorar o desempenho das empresas. Se o mínimo salarial, tido como referência da economia nacional, é base de subsistência que já está sendo atacado. Enquanto a indústria dos factoides maneja a opinião pública contra os ideais trabalhistas, para criminalizar movimento de justiça social, aparecem sugestões criminosas para destruir o salário-mínimo.

 

Tenebrosa escalada
A depreciação do valor do trabalho aflige a remuneração que era considerada razoável, atingida pelo desemprego. Há um pensamento no governo federal que contraria a dinâmica financeira. Eles afirmam que reduzir salário fortalece a empresa e reduz o débito previdenciário. E não falam na redução de impostos que, aliás, são pagos pelo consumidor ao custo final, que é o trabalhador. Mesmo que seja negada a proposta de desvincular o salário-mínimo dos índices de atualização, está germinando a ideia em tenebrosa escalada inconstitucional. As diferenças na renda familiar brasileira já são implacavelmente injustas, e vão se agravar.

 

Família sofre
Embalado pelo espectro consumista, o endividamento doméstico é assustador, e revela a iniquidade do sistema que incentiva a euforia usurária dos banqueiros.

 

A infância sofre
A redução do amplo sentido humano e valor do trabalho atinge frontalmente o presente e futuro de nossa infância. Começa pelo reducionismo formal dos princípios trabalhistas em relação à mulher gestante. Os dados confirmam o excessivo número de demissões de mulheres logo após a licença gestante. Não bastasse, a falta de creches públicas e o alto custo de creches particulares, estão desempregando mães que auxiliam a renda familiar, além daquelas que são as únicas mantenedoras. Este é o retrato trágico para o futuro de uma geração. É hora da indignação urgente para validar a esperança de sobrevivência.

 

Lixo exuberante
As prodigiosas condições de nosso solo e natureza farta estão ludibriando a face faminta. Nas cidades já se avolumam pedintes. Sobras de estoques nas feiras da produção agrícola e seu descarte ainda beiram o lixo exuberante. Em meio ao auxílio paletó, fortunas em verbas partidárias públicas, observamos perigosa dolência cívica blindada pela censura oficial que insiste em dizer que o lamento popular desta imensa maioria é coisa dos comunistas. Está cada vez mais difícil chegarmos a um capitalismo com decência social.

 

Acinte grileiro
É flagrante a desobediência legal de fazendeiros insaciáveis na invasão de áreas, desmatando reservas florestais. O discurso irresponsável do governo federal tem incitado uma trajetória que registra 300 assassinatos de resistentes preservacionistas e pequenos produtores nos últimos dez anos. É ineficiente o combate à iniquidade contra os guardiões de rios e florestas. Entre grupos criminosos de fazendeiros do norte e mineradores ilegais, apenas 14 bandidos foram julgados. Omissão oficial bárbara. Fiscais do Ibama e do trabalho, missionários civis e religiosos são impiedosamente assassinados.



Marielle
Nos estertores de sua gestão à frente da PGR, Raquel Dodge requer a federalização da investigação sobre mandantes da morte de Marielle Franco e Anderson Gomes. Tem coisa escabrosa!

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