Sangue bom

Escrito por
,
em

Notamos que você gosta de ler nossas matérias.

Você já leu várias nas últimas horas, para continuar lendo gratuitamente, crie sua conta.

Ter uma Conta ON te da várias vantagens como:

  • Ler matérias sem limite;
  • Marcar matérias como lida;
  • Conteúdo inteligente.
Criar contaAcessar
Você prefere ouvir essa matéria?

Estão pedindo sangue para o amigo Meirelles e falando nele veio a palavra emoção. O Rei inclui em todos os shows a música Emoções – quando eu estou aqui, eu vivo esse momento lindo – para descrever sucintamente a mágica, pequeno-grande pedaço de felicidade. Emoção e paixão, palavras tão próximas, talvez até demais.


Meu pai, gago, sublimava ao declamar poesias gaúchas de Jayme e ao dar palestras de suas atividades da caserna. Transcendia e não gaguejava uma vez sequer durante 90 minutos. Meu irmão Renato, atrapalhado ao se expressar muitas vezes, torna-se outra pessoa, culta e incisiva ao falar de espiritismo e de Chico Xavier. Transforma-se, parece ser outra pessoa, parece ter alguém falando através dele.

 

Padre João Corso, iluminado, tem o brilho nos olhos ao falar de Deus. Certa feita, quando meu filho foi crismado, Padre João foi almoçar na minha casa. Após rodadas de vinho ele me perguntou a razão de eu ter convidado sua pessoa para a refeição já que ele sabia que eu era agnóstico. Por que você me convidou se você não acredita no que eu falo? Respondi que havia convidado porque ele acreditava no que falava e era o que bastava. Quando a gente fala com paixão de algo geralmente encanta muitos. Falar em Deus iluminava seus olhos e nossas almas.


Gilberto Bonissoni, Pinga para os íntimos, deveria ser convidado para palestrar para os universitários, independentemente a que faculdade pertençam porque ao falar da sua vida profissional exibe a magia do encanto. Não se trata apenas de ser um importante profissional; trata-se de paixão, aquela mesma que conduz, que faz voar. Ouvi-lo é uma graça, é momento inesquecível. Pinga para todos, pinga ni mim.


E, Meirelles, bem o Meirelles...conheci-o em 1970 ouvindo a Passo Fundo. Pensei logo de cara que se em Cruz Alta tivesse um cara como ele o futebol do Guarani-Nacional-Riograndense estaria a salvo. Meirelles sempre foi dinamite; muitas vezes sua narração era mais emocionante do que assistir ao jogo presencialmente. Raspa o poste...nem sempre era assim. Bebeto, Luis Freire, Roberto, Raul, Santarém, irmãos Pontes, Felipe, Cabrinha, Claudio Freitas...todos tem seus feitos adornados por Meirelles. Dizem, e é verdade, que Meirelles empresta emoção até para narrar jogo de canastra ou jogo de bocha. Agora precisa de sangue, sangue bom como o dele, sangue forte, sangue de Meirelles. Sangue para a lenda, para o maior jornalista que essa terra já dispôs. Obrigado meu velho, força...é gol, gol de Meirelles Duarte. Vamos lá devolver um pouco de todo o sangue que ele presenteou Passo Fundo.

Gostou? Compartilhe