Será necessário um olhar estratégico sobre o planejamento estratégico?

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Depois de anos desafiadores, a economia brasileira sinaliza novas oportunidades para as empresas, que precisam refletir sobre como planejar da melhor forma os próximos passos, perseguindo eficiência e transformação.


A definição das estratégias de boa parte das empresas está ligada aos ciclos econômicos. Em períodos de pujança, há farta liberação de recursos para projetos de inovação, expansão dos mercados e diversificação de portfólio; nos períodos de baixa, os esforços são focados em corte de custos e aumento de eficiência e o gestor se esforça para fazer o mesmo com menos ou, na melhor das hipóteses, fazer mais com o mesmo.


Trata-se de uma abordagem que claramente apresenta vulnerabilidades e limita oportunidades. Há inúmeros fatores. Para a empresa de auditoria e Deloitte um dos mais relevantes é a falta de visão no longo prazo. Atuar de forma pró-cíclica, ou seja, aumentando a produção na alta e cortando na baixa, atende às questões mais urgentes, que certamente são importantes, mas falha ao não levar em conta o longo prazo, que também é fundamental e não pode ser negligenciado para as companhias que almejam a perenidade.


Outra abordagem comum é criar estratégias para um período de cinco anos. Como no caso anterior, as fragilidades são flagrantes. Meia década é um período insuficiente para a elaboração de cenários que contemplem mudanças profundas. Ou seja, quem analisa um horizonte de cinco anos dificilmente vai se antecipar a uma mudança disruptiva, que poderia ser captada se um período mais longo fosse levado em conta. No entanto, as mudanças atualmente ocorrem em grande velocidade e cinco anos podem, ao mesmo tempo, ser também um período longo demais para desenhar-se um plano acionável.


O cenário hoje apresenta inúmeras complexidades para as companhias. Há diversas questões que precisam ser entendidas. Por exemplo, qual o impacto, no seu setor e na sua empresa, das mudanças climáticas, do envelhecimento da população e da maior urbanização? Como as novas tecnologias, como data analytics e inteligência artificial, vão afetar a sua indústria? E como se adaptar a um consumidor/cliente que exige das empresas transparência, valores com os quais possa se identificar, e que, mais do que produtos ou serviços, quer experiências? E, tão importante quanto: como lidar com essas tendências ao mesmo tempo em que há uma pressão crescente por eficiência e resultados de curto prazo?


Para Heloísa Montes e Marcelo Soares o equilíbrio entre visões de Zoom out e de Zoom in tem como virtude dar a mesma relevância para os desafios de longo e de curto prazos, permitindo reflexões sobre o futuro, mas sempre identificando as iniciativas que farão a diferença para os resultados presentes. Afinal, só chegamos no futuro se passarmos – com sucesso – pelo presente.


A abordagem “Zoom out / Zoom in” provoca os líderes empresariais a interpretar as tendências que vão transformar o setor onde atuam, tornando a empresa um sujeito ativo nesse processo ao mesmo tempo em que os desafia a desenvolver ações para resultados concretos e rápidos, e preparam a empresa para liderar as transformações em direção a esse futuro estabelecido.


Depois de anos desafiadores, a economia brasileira dá sinais de entrar num ciclo de crescimento favorável que podem durar alguns anos. Os gestores precisam resistir à tentação de criar um plano de negócios que leve em conta apenas esse período. As empresas que almejam o sucesso devem estar atentas ao hoje e ao amanhã.


Um olhar estratégico sobre o planejamento estratégico no Brasil será crucial para o sucesso das organizações. Estamos há mais de cinco anos na era da incerteza e a julgar pelos últimos dias nada indica que a tão esperada estabilidade política econômica será uma certeza. Portanto, caberá as organizações mitigar riscos e se reinventar de maneira contínuo se quiserem manter-se competitivas no mercado.

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