Um homem iluminado em um dia de graça

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Ler Shakespeare e escutar Mozart, segundo uma velha mística vitoriana, pode ajudar o homem a se tornar um SER melhor. Isso não necessariamente é uma verdade, pois, entre os amantes de Shakespeare e Mozart, também há aqueles capazes de cometer atrocidades. Mas, se não melhorar o ser humano na sua plenitude, esse tipo de hábito, pode, pelo menos, ajudá-lo a se tornar mais completo. Então, guardadas as proporções, ler Cafruni e escutar Teixeirinha, não tornaria um passo-fundense mais completo?
Escutar Teixeirinha – Gaúcho de Passo Fundo – nunca foi uma impossibilidade para ninguém. Todavia, não se pode dizer o mesmo sobre ler Cafruni, especialmente o clássico Passo Fundo das Missões – Estudo Histórico do Período Jesuítico. Essa obra, originalmente publicada em 1966, pode ser considerada uma raridade e uma paixão entre os bibliófilos locais. Pela sua importância, carecia, há muito tempo, de ser reeditada. Felizmente, essa lacuna ora está sendo sanada. Por trás desse lançamento, Paulo Monteiro. 

 

Não é de hoje que Paulo Monteiro clama pela reedição da obra magna de Jorge Edeth Cafruni. Em 2007, quando das comemorações dos 150 anos de emancipação político-administrativa do Município, ele veio a público destacar a urgência e a necessidade de reedição dessa obra basilar para o entendimento da nossa história. Seu chamamento não fez eco e o livro do Cafruni continuou sendo uma relíquia nas mãos de poucos afortunados.

 

Em 2019, com a conspiração favorável dos astros, tudo mudou. Eis uma história que precisa ser melhor conhecida. A programação da solenidade de abertura do ano-acadêmico 2019 da Academia Passo-Fundense de Letras, realizada no dia 4 de abril desse ano, incluía, além das comemorações dos 81 anos do sodalício das letras locais, também a entrega da Menção Honrosa Francisco Antonino Xavier e Oliveira, para Luiz Juarez Nogueira de Azevedo, Santo Claudino Verzeletti e José Ênio Serafini, da Comenda do Mérito Cultural Sante Uberto Barbieri 2019, para a artista plástica Miriam Postal, e uma oração alusiva ao Instituto Histórico de Passo Fundo. Pelo protocolo original, eu fora encarregado da fala sobre Instituto Histórico de Passo Fundo e sua relação com a Academia Passo-Fundense de Letra. Mas, por compromissos profissionais que surgiram de última hora, no final da tarde daquele dia, temeroso de um possível atraso, abdiquei da incumbência e solicitei ao acadêmico Paulo Monteiro que me substituísse na tribuna.

 

Paulo Monteiro, com a amabilidade que lhe é peculiar, não se furtou da tarefa. Produziu uma peça com sua marca de qualidade e, enquanto discorria sobre o Instituto Histórico de Passo Fundo e o seu mentor, o jornalista Jorge Edth Cafruni, ao mencionar o livro Passo Fundo das Missões – Estudo Histórico do Período Jesuítico, deixou de lado o discurso pronto e se dirigiu ao prefeito Luciano Palma de Azevedo, que fazia parte da mesa de autoridades, frisando, “Inclusive, Senhor Prefeito, eis uma obra que precisa ser urgentemente reeditada! ” Naquela noite Paulo Monteiro, na sua aparência de profeta bíblico, parecia um homem iluminado em um dia de graça. O prefeito Luciano Azevedo, que prima pela percepção de tomar de plano decisões relevantes, não se furtou da incumbência e determinou ao secretário da cultura, José Henrique Fonseca, que assim procedesse.

 

Decisão de reedição tomada, irmanaram-se a Academia Passo-Fundense de Letras, o Instituto Histórico de Passo Fundo e a Prefeitura Municipal de Passo Fundo, para levar a bom termo a empreitada. O lançamento está marcado para o dia 7 de agosto de 2019, às 19h30, na sede da Academia Passo-Fundense de Letras (Av. Brasil Oeste, 762).

 

Em relação a Paulo Monteiro, eu insisto nisso, ainda cabe o devido reconhecimento pelo muito que ele, como poeta, historiador, cronista e publicista, tem feito pela cultura local. Um homem que prima pelo conhecimento universal e pela humildade. Se eu tivesse a metade da cultura do Paulo Monteiro, eu me tornaria INSUPORTÁVEL. Um beijo na tua alma, Paulo!

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