OPINIÃO

A arte de querer bem

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· 2 min de leitura

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Neste isolamento social sinto-me bem porque adoro estar em casa com a família (atualmente desfalcada de minha filha que mora em São Paulo), meus bichanos e meus livros-discos. Ver filmes antigos também é uma boa, reler livros que talvez tenham sido lidos em épocas não favoráveis, também. Na minha frente, sobre a mesa, estão dispostos: A História da Humanidade Contada Pelos Vírus (Stefan Cunha Ujvari), presente de meu colega Edison Horn em dezembro de 2009; Os Olhos do General, sobre Marechal Firmino de Paula, de Cruz Alta (livro de Rossano Cavalari); Histórias de Portugal (Luís Mendonça), comprado em Lisboa, na Bertrand, em 05.6.19. São Livros que já li e que releio com mais tempo, agora.

Tem a biografia do Barão de Itararé, tem uns livros de ciência de Marcelo Gleiser, todos iniciados em minhas leituras e não completados. Vamos lá, há tempo para tudo. Lembrei subitamente do filme Sabrina (1995) dirigido por Sidney Pollack em que John Wood interpreta o pai dela; em quase todas as cenas ele está à leitura. Por instantes imaginei minha morte, dentro de uma biblioteca ou livraria com todos os livros que deixei de ler caindo sobre minha cabeça; ainda, com uma cerveja gelada, infartando com mais um gol do Gremio.

Minha filha gosta muito de José Ernani (comunicador-escritor-historiador-professor); grande coisa, a maioria das pessoas que conheço curtem muito esse cara. Meu professor de história no Gama, onde além de aluno aproveitava para tieta-lo. Minha filha também foi sua aluna. Georgia me adora e a única vantagem que tenho em relação a José Ernani é que ela é minha filha e não dele. E por gostar de nós ela fica possuída com os rompantes que teimo em publicar no face. É que quem não concorda com nossos pensamentos geralmente o faz de maneira deselegante e minha filha acha que Ernani e eu não devíamos nos expor assim, que deveríamos ser mais respeitados, talicoisa. Ela manifesta, talvez por zelo, que José Ernani e eu somos os velhotes mais ridículos do face. Barbaquá!!!

Ela tem boa parte de razão porque da geração babyboomer da qual Ernani e eu emergimos é possível afirmar, sem direito a réplicas, que estamos com tudo; nós da chamada “melhor idade” dispomos de um imenso arsenal que merece respeito e, talvez, compaixão: ressecamento da pele, osteoporose, placas de gordura nas coronárias, a pressão lembrando placar de basquete americano, a falência dos neurônios, a queda da visão-audição, a falta de ar, a queda dos cabelos, tendência à obesidade e disfunções sexuais. Não estamos com tudo?

Então, é isso. E gostaria de recomendar a vocês o livro de crônicas de Ruy Castro “A Arte de Querer Bem”, adquirido na Livraria Da Vila, Shopping Higienópolis (quanta saudade) em maio de 2019. Dele, sorrateiramente, roubei as considerações referidas no parágrafo anterior. Boa páscoa a todos, na medida do possível, segundo Cândido Guarani Camargo de Rezende.

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