OPINIÃO

A busca pela autossuficiência em cevada e malte no Brasil ?EUR" Final

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Nos anos 1980, houve a ampliação das pesquisas e a expansão da área cultivada com cevada no Brasil. O Programa Nacional de Pesquisa de Cevada (PNP Cevada) serviu para integrar as pesquisas públicas e privadas, racionalizando gastos e formando uma rede de experimentação que serviria de base para a indicação de cultivares e a validação de novas tecnologias de produção, cujo destaque, que merece menção especial, foi a publicação, em junho de 1981, da Circular Técnica nº 1, pelo CNPT, intitulada de “Recomendações Técnicas para o Cultivo de Cevada Cervejeira”, que foi a primeira de uma série de publicações técnicas que se estende até o presente. Essa publicação seminal foi coordenada por Euclydes Minella e leva a assinatura dos colaboradores Wilmar Wendt, Wilmar Cório da Luz, José Cavalcante Vieira e Armando Ferreira Filho, da Embrapa, Arlindo Göcks e L.E. Eckert, da Maltaria Navegantes S.A., Giampiero Baldanzi, da Cia. Antarctica Paulista - IBBC, Avahy Carlos da Silva, do IAPAR, e Franz Jaster, da Agromalte-Cooperativa Agrária Entre Rios Ltda. Nessa década, ainda, houve o encerramento das atividades da IPB no País, paralelamente ao início das pesquisas com cevada no IAPAR (priorizando além do uso cervejeiros também a alimentação humana e animal) e na Embrapa Cerrados, bem como foi intensificada a experimentação com cultivares e práticas de manejo de cultivo na Cooperativa Agrária Entre Rios Ltda., em Guarapuava/PR.
Historicamente, além das variedades coloniais cultivadas até meados do século passado, cabe mencionar a cultivar Continental FM 404, seleção de um material de Weibull de origem desconhecida, que foi lançada pela Companhia Cervejaria Brahma e cultivada de 1974 até 1987. A Companhia Antarctica Paulista – IBBC lançou a cultivar Antarctica 01, selecionada a partir da variedade alemã Breuns Volla, cultivada, até 1968, em todas as regiões, e, até 1986, em Guarapuava. Nos anos 1980, as variedades mais usadas foram FM 519, da Cia. Brahma (até 1990), e Antarctica 5, de 1982 até 1993.
Do programa de melhoramento genético de cevada da Embrapa, que teve início em 1977 com os objetivos além da criação de cultivares também a produção e germaplasma básico (pré-melhoramento), saíram, em um primeiro momento, a cultivar BR 1, que não alcançou padrão cervejeiro e, portanto, não chegou a ser usada em lavouras comerciais, e a BR 2, a primeira cultivar efetivamente cervejeira da Unidade. A cevada BR 2 foi um sucesso por combinar potencial de rendimento elevado, adaptação ampla e resistência à mancha-em-rede. Depois veio a Embrapa 43, que junto com a BR 2, em 1997, ocuparam 90% da área cultivada com cevada no País.
A integração formal dos programas de melhoramento genético da Embrapa com os da Antarctica e da Brahma ocorreria no início dos anos 2000, com o objetivo de racionalizar o uso de recursos humanos, matérias e financeiros.
Todavia, apesar do esforço despendido, dos avanços alcançados e da carta de boas intenções representada pelo “Programa Nacional de Auto-Suficiência de Cevada e Malte”, de 1976, chegamos em 2016 sem o atingimento dessa meta. Atualmente (entenda-se o período 2000 a 2015) têm sido cultivados 109.139 ha com cevada no Brasil, produzidas 272.196 t de grãos, rendimento médio de 2.585 kg/ha, com aproveitamento médio pela indústria de 73% (semente de 7% e fora do padrão de 20%). O consumo de malte no País é de 1.300.000 t, de cujo montante produzimos 560.000 t (43%), usando cevada nacional (40%) e importada. A produção de toda a cevada e malte que o País necessita seria possível com o cultivo de 660.000 ha, admitindo-se rendimento médio de 3 t/ha e quebra de 27%, e a duplicação da capacidade da indústria de malteação. Esses números indicam o quanto ainda nos falta para o atingimento da meta da autossuficiência planejada em 1976 (o colunista agradece ao pesquisador Euclydes Minella pela colaboração e disponibilização de informações).

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