OPINIÃO

A insanidade no saneamento

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Pressionada pelas constantes manifestações dos organismos mundiais, a mídia brasileira parece despertar para os efeitos do saneamento básico. Esta condição humana afeta com feições opressivas a maioria das nações do planeta. Até o ministro Paulo Guedes considera esta necessidade prioritária indispensável para o desenvolvimento econômico. Na maioria das cidades brasileiras o quadro é sombrio. Não é preciso olhar para as regiões do norte e nordeste. Aqui em nossas barbas, a poucos passos de nossa porta, deparamos com o constrangimento perene da miséria estética que fere o direito de vida das famílias. Metade de nossa população não tem acesso ao esgoto. Dado escandaloso diante de tantos avanços tecnológicos destinados a mudar as condições de habitação que evidencia descompasso secular. Qualquer comparação de avanço técnico esbarra na verdadeira insanidade, que é o desprezo pelo contexto da moradia. A deficiência da engenharia devotada ao saneamento básico é socialmente vergonhosa.

Saúde mental e física
A afetação de densos núcleos habitacionais, ainda que próximos ao centro urbano é triste. O esgoto a céu aberto, cada vez menos raro é escandaloso. Mesmo entre moradores de poder aquisitivo considerado tolerável para sobrevivência, desde o anoitecer ao amanhecer, todo o dia, o ambiente agravado com a falta de esgoto, o que conhecemos como saneamento básico, deprime e contamina o ar que respiramos. O cheiro forte, que se abranda nos dias de frio, recalca os momentos destinados à convivência familiar. A perspectiva de solução sofre alheia à expansão demográfica diante da insuficiente coleta do esgoto cloacal, que não se desenvolve com a mesma velocidade. E mais, cultivamos formas enganosas com o precário lançamento de dejetos nas valas, córregos, riachos. O rio está podre.

Infância sofre
O sofrimento agrava condições de vida das crianças. A bola que rola na sarjeta imunda e fétida é condutora de contaminações. O mosquito ronda as casas. O ânimo de prosperidade mínima fica afetado. O perigo persistente da contaminação incide assustadoramente com as agressões da hepatite, leptospirose, cólera, febre amarela, dengue e outros males urbanizados. É a gestante e as crianças que sofrem. E já se fala em doenças desconhecidas que nos assombram na carência de saneamento básico.

Moradia e querência
O termo usual no linguajar gauchesco, uma moradia que pode ser simples, queremos chamar de querência. Deveria ser definição de um lugar que almejamos, com afeto, dourado de certo lirismo. Um porto seguro de aconchego para felicidade vem maculado pelas condições básicas de higiene. Voltando para casa, depois do trabalho ou da escola, queremos colocar a cabeça no lugar e pensar em melhorar as condições. Se o ambiente permanece implacavelmente imerso na falta de saneamento, temos um fator que compromete a graça de viver e de nos sobrepormos aos sofrimentos comuns. O efeito cumulativo do mau cheiro constante e o cenário ao redor da casa é tormento de efeito deprimente e depressivo. Não se pretende aqui versar sobre aporia da afetação no equilíbrio mental das pessoas, mas o ambiente mínimo de vida certamente aflige psicologicamente. Estar em casa ou voltar para casa exige condições de dignidade. Diz-se “pobre, mas limpo”. Quando isso é viável a esperança floresce.

Essa bandeira
Deixando de lado as ilusões de governos ineptos na política do saneamento, a reflexão é urgente e absolutamente prioritária. É claro que melhorar estrutura depende de todos nós, além das políticas governamentais. Recentemente foi anunciada retomada do marco regulatório do saneamento para o Brasil. Oxalá, não seja mais uma mentira.

Consciência Negra
O jornalista Sérgio Camargo volta a fazer declarações com intenção de derrubar a conquista na luta pela valorização contra o racismo. Mesmo tendo sua nomeação contestada promete esvaziar a crescente celebração da Consciência Negra, de 20 de novembro. Dizendo-se apoiado por Bolsonaro nega afrontosamente uma construção que se fez na cultura da matriz africana. É sério demais o desplante. É mórbido! Cutucaram a onça com vara curta.

 

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