OPINIÃO

A musa liberdade

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O momento de comemoração da Independência do Brasil marca reflexões sobre evento, ainda em rescaldo, de participação popular no processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rouseff. O governo deposto mantém a versão de golpe de estado que teria vitimado o PT, a partir de um contexto de poder retalhado pelo PMDB, que fez parte tanto dos acertos como dos erros. Acontece que a queda da presidente foi um resultado da eclosão de desmandos contra o patrimônio público assentidos por ocupantes do governo Dilma/Temer, que levou o povo às ruas para protestar. A tática por males intoleráveis foi a contribuição dos líderes do próprio partido governante. A era de investigação policial contra a corrupção envolvendo vários partidos e segmentos privados constituiu-se em movimento inédito na vida do país. A irresignação dos petistas, que persistem na versão golpista, não é assunto para ser definido com simplicidade. Será êmulo para a história. O que importa é que somos parte de um povo que começa a assumir sua missão de influenciar os próprios destinos. Nesta hora os sentimentos se confundem, as paixões excedem, e as incompreensões acumulam traições. A própria democracia sofre insultos. Mas é preciso andar, ainda que claudicante, rumo a um lugar onde seja soberana a musa libérrima, a liberdade.

É difícil julgar
É preciso recorrer aos conceitos abordados pelo psiquiatra e escritor Jorge Salton, questionando julgamentos pragmáticos. A proclamação da Independência do Brasil deu-se em meio a dependências difíceis a serem vencidas. A mais terrível foi a própria escravidão, mácula aberrante, que só foi objeto de correção legal décadas depois, pelo menos na letra da lei, com a abolição tardia, em 1988.


A luta continua
Vejamos. Tiradentes, hoje em nossa memória de heroísmo, foi morto cruelmente e considerado infame com seus descendentes, pelo poder constituído, até que a evolução resgatasse sua memória de mártir da independência. Ainda hoje vemos interpretações danosas à liberdade, se considerarmos sediciosos os que pensam contrariamente. Tiradentes foi o sedicioso de sua época; Cristo foi condenado por desafiar as consciências hipócritas. Como pode alguém imoral, perseguidor ou egoísta espalhar condenações iníquas contra alguém que apenas tem pensamento socialista, oposto ao seu?

Cara Pátria cara
Permita-nos extrair da obra escrita pelo promotor Carlos Bachinski, ex-seminarista (estudou em Passo Fundo), que escreveu - Latim, Língua e Direito Vivos, - trecho da versão em latim do Hino Nacional –“Hymnus Brasiliensis”. (Versão de Mendes de Aguiar) da letra de Osório Duque Estrada: “Pignus vero aequalitatis/ Possidére si potúimus bracchio forti/ Almo gremio in libertatis/ Audens sese affert ipsi pectus morti!” (Se o penhor dessa igualdade/ conseguimos conquistar com braço forte/ Em teu seio, ó liberdade,/ Desafia o nosso peito à própria morte!... “O cara Patria/ Amoris atria,/ Salve, Salve!”. Observa-se que a expressão “Es Patria electa”, significa ó Pátria amada! Linda versão! Mesmo diante da maldade de muitos, o motivo da democracia é acreditar que chegaremos à felicidade, com liberdade.

Retoques:
* Entender a força das palavras é mais importante que repeti-las de forma vã. Quem formula e aprova leis não rege a aplicação. Por isso é importante o conhecimento das normas do país, principalmente o potencial que representam para a sociedade!
* É muito comum ouvirmos expressões contra o debate sobre política nas escolas. Fora os exageros, a política é realidade que exige maior discussão. Aos que se remetem às cebolas do Egito, dizendo que na ditadura não havia partidarismo, é necessário desfazer o engano. Ao contrário, foi o período mais tendencioso de nossa história. O famigerado “testis unus” (versão única) sobre os fatores sociais, onde pensar o contrário era considerado crime, foi período destruidor e limitador de idéias.
* Volto a lembrar que não sou um latinista. Sou apenas curioso sobre uma língua que formou o português, última flor do Lácio.

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