OPINIÃO

Algumas respostas sobre o circuito de exibição

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De um lado, são reveladoras as respostas dadas por Mario Pintado, diretor da rede de cinemas Arcoplex, à jornalista SammaraGarbelotto, editora do Segundo ON, e compartilhadas com este colunista nesta semana. As principais dúvidas expostas a Pintado nos questionamentos encaminhados a ele dizem respeito à quantidade de filmes dublados, recentemente, no circuito de Passo Fundo, e ao atraso de alguns filmes, que chegam a Passo Fundo com várias semanas – no caso do oscarizado 12 anos de escravidão, com 3 meses de atraso.

O principal aspecto abordado pelo diretor da rede diz respeito à questões técnicas e financeiras. Mais especificamente, à ascensão do formato digital e a necessidade de adequação das salas para que elas possam comportar esse novo formato. O filme em 35 mm, de película, que por décadas correspondeu ao único padrão disponível para exibição, ainda é majoritário, principalmente nos cinemas do interior. Uma das grandes vantagens do formato digital é que ele permite que a mesma cópia do arquivo tenha versões dubladas e legendadas, e permite à empresa escolher qual versão exibir e em quais horários. “Quando o filme é 35mm temos poucas cópias legendadas, então não temos muita escolha, mais onde já temos salas Digitais exibimos as duas versões.” explica Pintado.

É uma explicação convincente. Mas, se a pouca disponibilidade de cópias legendadas e a crescente necessidade de mudança – dispendiosa, do ponto de vista financeiro - do formato 35mm para o digital explica a ausência de cópias legendadas nesse formato – a questão do custo dessas cópias, isoladamente, não foi abordada na resposta – algumas questões ainda não estão claras. Por exemplo, a opção pelo dublado tambémse baseia segundo o diretor, pelo perfil do público de cada cinema. Ele emenda afirmando que hoje o filme dublado corresponde por 70% dos frequentadores que vão aos cinemas, mas esse dado, como muitas pesquisas quantitativas, avaliam apenas números de um questionário e não contextualizações, meios sociais e mesmo o tamanho das cidades. Já o atraso se explica pela grande procura que determinados filmes demonstram em diversas praças – mas não se explica porque Passo Fundo acaba ficando no final dessa fila de cidades da rede. Aliás, seria interessante, até para nossa auto-crítica, termos números comparativos relacionados à presença do público nos cinemas de Passo Fundo e outras cidades.

A grande questão, mesmo, parece estar na necessidade de modernização das salas de forma a permitir a exibição de qualquer uma das versões. Mesmo assim, qual critério a empresa usará para optar pelo filme dublado ou legendado? A faixa etária? A “pesquisa” que indica maioria absoluta de público preferindo o filme dublado? Por que, então, é tão difícil, em certos círculos de espectadores, encontrar gente que prefira o filme dublado?  E, num típico questionamento de pesquisa, e sem abordar a qualidade dos filmes do circuito (que deixa de fora filmes elogiados, mas que não correspondem ao padrão buscado pelo grande público), as pessoas estariam indo menos ao cinema porque o cinema, como entretenimento, “acomodou-se” e não busca novas formas de cativar seu público, ou o cinema não busca investir em inovação porque não tem público? O ato de ir ao cinema hoje se resume a comprar ingressos, pegar pipoca, refrigerante, sentar e assistir ao filme. Fora o espetáculo audiovisual, não seria possível nenhum tipo de interação, novidade, promoção ou atividade que pudesse ampliar essa experiência?

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