OPINIÃO

Anormalidade e alto risco

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Começamos observando o prolongado terror nas ruas de Nova Iorque, que resultou num dos mais caros e sofisticados esquemas policialescos no controle da violência das grandes cidades. Uma fantástica estrutura que repeliu nos últimos cinco anos a onda de crimes. Na grande Porto Alegre vivemos situação em condições totalmente adversas. A sucessão de crimes crescentes no volume e na gravidade revela-se assustadora com a pronunciada presença do uso de tóxico pela bandidagem. As condições de reação são diferentes num estado quase falido. A presença da Força Nacional de Segurança atende emergência isenta de melhor avaliação sociológica, difícil neste estágio. Ninguém apresenta melhor opção. É válida, portanto, a medida governamental que precisa dar respostas à perplexidade que já incorpora a rotina do metropolitano. Não se pode, no entanto, avaliar o fato de que o recrudescimento policial necessário elimina um foco. Mesmo em NY, protegida pelas facilidades da maior potência mundial, a estratégia policial elimina alguns focos de criminosos. Até a imprensa americana afirma que os delinqüentes emigraram, ou foram empurrados para redutos fora da grande cidade. Sem uma busca heróica e constante pela pacificação, corremos o risco de sofrermos uma violência itinerante no interior do estado. A anormalidade é das mais graves em todas as cidades. Estamos correndo risco como nunca!

Lições da história
Destacamos que não nos foi possível aguardar o desfecho nominal da tramitação do processo de Impeachment para a deposição da presidente Dilma. À tarde o compromisso é inadiável com audiência no fórum. Por isso entreguei a crônica ainda de manhã! É possível imaginar que neste alvorecer de quinta-feira o Brasil tenha novo presidente na pessoa de Michel Temer. Importa, no momento histórico, considerar que é possível equacionar um momento grave e preocupante, mediante utilização de instituições democráticas. A consternação dos acólitos de Dilma reveste-se de consciência cívica no mesmo grau ou maior legitimidade que os opositores quando perderam no voto a eleição presidencial. Quanto ao resultado no Senado, vale a postura digna da presidente Dilma, madura e republicana. Sofreu sanção política prevista na Constituição. Responsabilizada pelos pelas falhas, depois de altas traições do PMDB, e Temer, não há como não acatar a decisão parlamentar democrática, ainda que sôfrega na sua legitimidade. E sem violência, numa tempestade de idéias que inflamaram a nação. Falava-se em volta da ditadura, banimentos e outras maluquices. Neste sentido um saldo esperançoso deduzido do debate. Restou a lição para todos.

Nada a ver
O maior consolo no emaranhado de dúvidas com a nova formação no poder é que os segmentos atuam sob advertência. O partido de Temer, seriamente envolvido em escândalos de corrupção deve saber que não pode retomar a gestão marginal. Tanto a PF, como MP ou Judiciário estão num ritmo acelerado e a responsabilização ou condenação por corrupção já não é raridade que aflige apenas quem não maneja o poder. Neste sentido é incomparável a outros momentos na troca de governo. Como dizem os sociólogos alemães, “Omnia comparatio claudicat” (toda comparação é falha).

Retoques:
* Os debates políticos nacionais revelaram que é sumamente importante a arte de falar. Além disso, parece que todos querem melhores momentos na valorização da palavra.
* A sugestão de antecipar eleições, chamando o povo como juiz da política pode inflamar novamente os ânimos.
* Antes que seja tarde Temer interfere na comunicação do Planalto para dizer que vai continuar a compra de produtos dos pequenos produtores para merenda escolar.
* O PIB brasileiro cai novamente. O sacrifício da nação será grande para recuperarmos empregos.
* A palavra para uns ilude, mas também alude às necessidades do homem moderno. Hoje, por exemplo, o Rio Doce, no Espírito Santo, é o cenário amargo da seca e poluição.

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