OPINIÃO

Coluna Celestino Meneghini

Por
· 2 min de leitura

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Não há água virtual
As gerações, ao longo de milênios, de algum modo remaram lentamente até que chegássemos ao deslumbramento da moderna ciência. Esta sinergia eletrônica descortinou a nova civilização do terceiro milênio sob a égide da informação instantânea para todo o planeta. Este fenômeno que, ainda perplexa remanescentes do século XX, enfrenta a visão presunçosa dos deslumbrados com o progresso que esquecem bases incontroversas da sobrevivência humana. Desde os primórdios da filosofia grega, com Parmênides, Sócrates, Platão, Aristóteles, e outros tantos, era inarredável o princípio da existência a partir da realidade do ar, terra, água e fogo. E estamos diante de um esquecimento elementar que afeta modernas metrópoles. A grande expressão do progresso é a cidade. Esta, contudo, na sua organização, especialmente estatal, falha na responsabilidade fundamental, fragilizando as condições de vida. O flagrante exemplo de ineficiência é a falta de água em São Paulo, a cidade mais rica do país. O cuidado com a água e o ar não anda bem. Nunca se ouviu falar de um programa eficiente, por exemplo, de coleta da água utilizando-se o sistema de aproveitamento da água da chuva. As velhas cisternas devem ser adaptadas à arquitetura urbana. Essa mentalidade parece calada num país de abundâncias, onde a filosofia equivocada induz ao abandono de fundamentos que podem equilibrar a vida e evitar o caos.

Desperdício
Esquecemos da necessidade básica da água, e com esta, outras condições de vida. Não é a modernidade culpada. É a prepotência da imaginação que nos acostumamos a cultuar em forma de status, sem autocrítica. A ciência moderna merece ser aproveitada no sentido útil, ou autossustentável, como é a desgastada palavra de ordem. O relatório oficial aponta desperdício de 37% da água potável, antes de chegar à torneira. As principais causas são: falta de tubulação e ligações clandestinas. O Pior dado informado pelo relatório é que este desperdício não resultou reduzido desde 2012, ao contrário, aumentou. Só para citar, na Alemanha a perda é de 7%. Ainda, o consumo per capita de água vem aumentando no Brasil. Por isso fizemos um pequeno (e despretensioso) exercício de reflexão sobre a utilidade dos conhecimentos que se multiplicam com espantosa celeridade. Devemos pensar que não se pode, com tantos recursos, definharmos pelo excesso de fumaça, calor ou pela falta da água. Com a questão da água vem a energia elétrica e conseqüências.

Estado Social
Nos anos 60 a Alemanha incentivou a política de imigração para atrair mão-de-obra para o país. Gregos, turcos, portugueses, espanhóis, especialmente, foram chamados e participaram do surto tecnológico que tornou o território germânico a locomotiva, ou o país mais rico da Europa. A abundância de recursos possibilitou o Estado de bem-estar social, com creches governamentais, hospitais, estradas, ensino público e o seguro desemprego. Formou-se o exemplar “Sozialstaat” ou o “Welfare State”, como denominam os ingleses. Bem! A esperança de muitos imigrantes encontrou amparo nestas condições, elevando o povoamento de estrangeiros na Alemanha. Este mesmo processo ocorreu na França, Inglaterra e outras potências da Europa, ao aceno da democracia social. O movimento que hoje estamos vendo é também uma reação conservadora preocupada com a redução do estado de bem-estar, diante do constante aumento de imigrantes. E mais, algumas manifestações, especialmente nas províncias da Saxônia, Pegida e Turingia, área da antiga Alemanha Oriental, têm sido abertamente contra o que denominam islamização do ocidente. Assim entendem eles. Este processo emerge na Europa como ato defeso. Por isso, há poucos dias, Merkel lembrou: “O Islã faz parte da Alemanha”.

Retoques:
* De algum modo encontramos ódio dissimulado no nosso cotidiano. Nas redes sociais, infelizmente, vimos manifestações que defendem o covarde assassinato de jornalistas franceses. É possível imaginar que Deus aprove o fuzilamento de pessoas contrárias às diferentes crenças?
* Cuidado, muito cuidado, com a arrogância do obscurantismo de vanguarda!

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