OPINIÃO

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Quando fiz cinquenta anos ameacei uma festa em que convidaria pessoas de significado especial na minha trajetória, mesmo as que já morreram. Acabei desistindo porque as pessoas especiais de minha vida moram em Cruz Alta, Passo Fundo, Blumenau, Florianópolis, Salvador, Santiago e Severiano de Almeida, cidades em que vivi ou que têm parte de mim. Seria festa demais para grana de menos, gente demais para homenagear.

Ainda, minhas festas seriam de homenagens musicais: eu chamaria um (a) por vez, com trilha musical individualizada. Então diria, essa música me lembra você por causa disso ou aquilo porque a música sempre me fascinou e lembro perfeitamente dos grandes momentos de minha existência, com os fundos sonoros correspondentes.

Exemplo: em 1975, na primeira semana de março, Rudiney, Eduardo e eu cumprimos uma triste viagem de trem até Alegrete para prantear o inesquecível colega de Cenav, José Carlos Rodrigues (Zé Capacete), morto acidentalmente aos 17 anos. A canção que tocava naquele trailer que vendia cachorro-quente em Alegrete há 40 anos era Stand by Me, de John Lennon. Eduardo lembra Casa das Máquinas (Vou Morar no Ar) e Rudiney lembra Lucy in the Sky With Diamonds e outras de Elton John. A trilha para a primeira namorada era Eu Quero, de Sergio Bittencourt; da segunda, era Wer’e All Alone (Rita Coolidge); para a minha mulher, era Muito Estranho (Dalto). Das cervejadas com Luís Rovaris o som era Só Chove (Kiko Zambianchi), enfim... Eduardo Azambuja me lembra Philosopher do Yellowstone and The Voices; Hélio Renan lembra Barry White, Donna Summer e Gloria Gaynor; Tito Bassani me traz Neil Diamond. As músicas me trazem pessoas e seus encantos; trazem, também, cumplicidade.

Quando meu filho nasceu bombava Modinha Para Tereza Batista, do seriado da Globo; Quando minha filha chegou, só dava Skank e Cidade Negra.

Um dia, em algum contato imediato de terceiro grau pensei em oferecer aos amigos de outros planetas o que de melhor haveria entre nós, humanos. E seria o inocente sorriso de uma criança e a música...incluindo aquela que está tocando na rádio agora, instante em que começa a cair uma suave garoa...rumo, estrada turva, só despedida...Teletema, cantada por Regininha, da novela Véu de Noiva, Teletema, o mesmo título do livro que me acompanha neste plantão noturno.

Não, não há vida sem músicas...sem trilhas sonoras...para os nossos melhores momentos, para dar a consistência, para dar a liga, para a gente sonhar, para a gente viver, para a gente compartilhar e para a gente agradecer.

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