OPINIÃO

?EURs vezes...

Por
· 1 min de leitura

Notamos que você gosta de ler nossas matérias.

Você já leu várias nas últimas horas, para continuar lendo gratuitamente, crie sua conta.

Ter uma Conta ON te da várias vantagens como:

  • Ler matérias sem limite;
  • Marcar matérias como lida;
  • Conteúdo inteligente.
Criar contaAcessar
Você prefere ouvir essa matéria?

Às vezes, não muitas, sonho em escrever,
Talvez poemar, talvez poesiar, talvez contar
 Mas, não consigo mais do que um  simples tergiversar
 Vou até um pedaço e , por autocomiseração, declino
 Como seria possível concatenar ideias de vida ou destino
Ao encontrar tardiamente as impactantes poesias
Cheias de paz, luz e alegrias
Daquele que partiu sem que ou o conhecesse
Sem que eu ao menos lesse
Desperdício meu, caro Manoel de Barros
Lerei-o entre matas ou entre flores em jarros
Ou a ouvir seus passarinhos silvestres
Aqueles orquestrados que nossas vidas enternece

Manoel de Barros é, pelo menos para mim, um autor póstumo, tal qual Niesztche. Este é um escritor-filósofo-pensador que angaria todos os fosfatos para meu cérebro. É lê-lo e caminhar longamente, sorvê-lo pausadamente. Manoel de Barros, ao contrário, é de ideias espantosamente simples que percebe a deslumbrante natureza e a descreve como se dela fizesse parte, como se dela jamais se desprendesse. O velho poeta, ao morrer há uma semana despertou em  mim e em milhares de corações e mentes generosas sentimentos de gratidão como o de Diógenes Christofoletti – morreu nada, hoje mesmo tava brincando no quintal de minha mente. Também, de Aída Lisboa – ele não se foi porque eu acabei de encontrá-lo.

Vejam vocês, Lula quase preso, Dilma quase indiciada, Graça Foster quase despedida, nesse país do quase. Brasil do futuro, segundo Stefan Zweig, está depressivo pela auto-avaliação e pelo descrédito internacional a nossa maior empresa.  Nosso país, o país do quase, não ri e nem chora pelo que se sucede, apenas contempla, deitado eternamente. Se não chora pela banalização da corruptela, pelo escárnio dos vendilhões de esperanças, pelo menos chora a morte de um menino de mais de noventa anos, poeta Manoel de Barros, a quem, candidamente presto essa homenagem porque absurdamente mentem que morreu. Claro que não, também acabei de encontrá-lo, tava brincando no quintal da minha mente, ali na mata, entre os passarinhos e rãs.

Gostou? Compartilhe