OPINIÃO

Fatos 30.11.2016

Por
· 1 min de leitura

Notamos que você gosta de ler nossas matérias.

Você já leu várias nas últimas horas, para continuar lendo gratuitamente, crie sua conta.

Ter uma Conta ON te da várias vantagens como:

  • Ler matérias sem limite;
  • Marcar matérias como lida;
  • Conteúdo inteligente.
Criar contaAcessar
Você prefere ouvir essa matéria?

SILÊNCIO

Tinha decidido não escrever a coluna desta quarta-feira. Fui acometida de uma falta de energia absurda. Que palavras poderia eu escrever que não foram escritas? Que mensagens poderia passar que não tivessem sido publicadas ou enviadas? Não sei escrever sobre tragédias. As palavras me fogem, não se alinham e sou tomada por uma profunda confusão mental. Ao mesmo tempo que me perco nos sentidos, sou chamada pela responsabilidade de ter que organizar tudo para ser publicado, em forma de notícia. Eis o que me coloca nos eixos: a informação. Não é fácil para profissionais, mesmo experientes como eu, lidar com tragédias como a que se abateu em Chapecó, que perdeu o time do coração (Chapecoense) num desastre aéreo sem precentes. Não é fácil para nós jornalistas ter que noticiar a morte de colegas jornalistas no exercício de suas atividades. Não é fácil dissociar a empatia, natural do ser humano, da frieza que se deve ter ao decidir o que se publica e o que se corta na hora da edição. E a foto da capa? E a foto da matéria principal? Quantas vítimas? Quem sobreviveu? E o sofrimento do pai (Paulo Paixão) que perdeu o segundo filho no acidente? E a esposa que não terá mais o marido retornando para casa? E o filho? E a mãe? É dor de longe, de gente desconhecida do teu dia-a-dia que bate como soco no peito. Dor, confusão, cansaço, vontade de chorar, correr, desviar o pensamento....O dia terminou, a edição está fechada e eu ainda não sei o que dizer que possa  fazer a diferença. Não sei porque não tenho o que dizer. Me solidarizo apenas com o meu silêncio.

Gostou? Compartilhe