OPINIÃO

Hematologista participa do HEMO 2016

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De 10 a 13 de novembro, em Florianópolis, foi realizado o Congresso Brasileiro de Hematologia e Hemoterapia, o HEMO 2016, com a participação da Dra Moema Nenê Santos, médica hematologista do Instituto do Câncer do Hospital São Vicente.
O tema desta edição enfocou o Dia Mundial de Conscientização sobre Linfomas (15 de setembro). A data foi criada com o objetivo de alertar a população mundial para esse tipo de câncer que cresce a cada ano. Segundo dados de 2016, do Instituto Nacional do Câncer (INCA), estimam-se cerca de 10 mil casos novos de linfomas todos os anos. A doença, que ataca as células do sistema imunológico, tem altas chances de cura, quando diagnosticada e tratada precocemente.
Segundo a hematologista, algumas drogas já foram aprovadas há muito tempo em vários países, já outras aguardam aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Atualmente, além do tratamento convencional, que utiliza a quimioterapia, a radioterapia e o transplante de medula óssea, Dra. Moema afirma que o arsenal terapêutico inclui drogas “inteligentes” que atingem mais especificamente as células cancerosas, poupando as células normais. Isso determina um tratamento mais efetivo e com menos efeitos colaterais. Esses tratamentos incluem a imunoterapia particularmente com anticorpos monoclonais e mais, recentemente, a utilização de moléculas alvo específicas, que agem dentro das células bloqueando as vias que determinam o crescimento do tumor.
Embora já idealizada há mais de um século, a hematologista informa que só mais recentemente a imunoterapia pode ser desenvolvida e utilizada na prática clínica. “Esta nova modalidade de tratamento passa pelos anticorpos monoclonais que são anticorpos (proteínas usadas pelo sistema imunológico para identificar e neutralizar corpos estranhos como bactérias, vírus ou células tumorais) produzidos por um único clone, idênticos em relação às suas propriedades físico-químicas e biológicas, que podem ser usados isoladamente ou acoplados com toxinas ou radioisótopos.
Outras modalidades de imunoterapia desenvolvidas rapidamente são as vacinas. Conforme, Dra. Moema, o avanço mais esperado é a possibilidade de se modificar geneticamente as células de defesa do próprio paciente, tornando-as altamente ativas contra as células tumorais.

Novos tratamentos imunológicos contra o Linfoma
O tratamento do Mieloma Múltiplo, doença neoplásica que leva a muitas comorbidades no paciente como anemia, perda de função renal e lesões ósseas, tem sido amplamente discutido em congressos. De acordo com a Dra. Moema, a sua terapêutica também tem evoluído em vários tratamentos imunoterápicos com diversos mecanismos de ação. A hematologista destaca que atualmente está sendo avaliado e testado a associação destes medicamentos por apresentar melhores resultados nos tratamentos e menor efeito colateral aos pacientes, como imunoterapias novas (daratumumabe, elotuzumabe, isatuximab, etc) e também o tratamento com inibidores da regulação imune, que estimulam o próprio sistema imunológico do paciente a reagir contra células doentes e tumorais.
No tratamento das Leucemias, Dra. Moema ressalta o novo medicamento, anticorpo monoclonal anti cd19, uma imunoterapia, que age diretamente na célula leucêmica, no caso da Leucemia Linfocítica Aguda. Esse tem sido uma nova modalidade de terapia em pacientes com doença refratária ou recaída aos tratamentos convencionais.
Outro assunto muito importante refere-se a diferenciação do tratamento em pacientes idosos. Dra. Moema argumenta que atualmente parte da nossa população tem envelhecido com melhor qualidade de vida, possibilitando que busquem a cura assim como o paciente jovem. “As doenças onco-hematológicas, tratamentos com menor toxicidade, mas com efeito importante na doença estão sendo adequados a estes pacientes. A terapia é individualizada, bem como uma melhor avaliação do estado clínico deste paciente que pode obter tratamento efetivo, com medicações curativas”.

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