OPINIÃO

Homenageando o professor

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No Dia do Professor quero homenagear e parabenizar a todos as pessoas que se dedicam a esta nobre e insubstituível missão, contando a história de um professor. É uma história entre tantas e tantas que poderia ser contada. Professores que permanecem anônimos, mas que fizeram e fazem a diferença na vida pessoal dos alunos e deixaram ou vão deixar a sua marca na sociedade.
Nos anos de 1991 e 1992, exercia meu ministério presbiteral em Santo Antônio da Patrulha. Lá, conheci o professor Augusto. Lecionava na localidade chamada Morro Tomacheski. Devido à localização e topografia acidentada, a maioria dos moradores tinha migrado para outros lugares. Restavam poucas famílias, com algumas crianças. Na estrada, pelas suas condições, passavam somente carros traçados e mal e mal o fusca, se o caminho estivesse seco. Nenhum morador tinha carro. Chegava-se a esta escola depois de uma hora de caminhada subindo a pé o morro.
Era uma escola de madeira, uma espécie de “brizoleta”, com algumas tábuas pobres na parte externa revelando o desgaste dos anos. O gramado, ao redor da escola, bem aparado. Por dentro, a limpeza era impecável e o piso de madeira encerado brilhava. Sem sombra de dúvida, das escolas que lá conheci, era a mais limpa e bem cuidada em todo o município. Tudo bem arrumado e com muito bom gosto. Se não me falha a memória, os alunos eram da 1ª a 5ª séries tendo como único professor o Augusto.
O professor Augusto, quando jovem, tinha saído daquela localidade para trabalhar na construção civil. Mais tarde decidiu voltar e foi admitido como professor da rede municipal. Os seus estudos de primeiro grau não o habilitavam legalmente para a função. Por isso, estava fazendo um curso de magistério durante as férias para se aperfeiçoar e também para atender as exigências legais de qualificação acadêmica. Um dia encontrei a supervisora dos estágios do professor Augusto e comentamos o trabalho dele. Ela me confessou que ainda não tinha tomado coragem para visitar a escola, devido ao difícil acesso, mas admirava demais a dedicação e a criatividade dele.
Uma vez por mês, a comunidade se reunia na escola para a celebração da missa e era um momento sempre muito esperado. Mesmo que ficasse uns 30 km de Santo Antônio da Patrulha, para atender este compromisso, necessitava-se de umas 6 horas, entre a locomoção e a celebração da missa. Encontrar as pessoas daquela comunidade e, especialmente, as crianças da escola era sempre muito gratificante.
O professor, com as crianças, preparava o ambiente e a liturgia da missa com esmero e criatividade. As crianças eram tímidas e vestiam roupas muito simples, revelando a pobreza material das suas famílias. Chamava-me atenção que tinham fluência na leitura e eram muito delicadas no trato. Como o professor Augusto também entendia um pouco de música, em algumas missas, chegava a fazer um conjunto musical. Ele com seu violão, a filha com uma gaitinha surrada e outros alunos tocavam instrumentos de fabricação artesanal. Quem não tocava ajudava a cantar as músicas bem ensaiadas.
Com todas as limitações existentes, o professor Augusto, com criatividade e dedicação, educou aquelas crianças. Destaca-se porque fez mais que a sua obrigação. É uma história de um professor, como muitíssimos outros, que nunca constará nos livros da história da educação, mas nem por isso é menos digna de ser contada.

Dom Rodolfo Luís Weber
Arcebispo de Passo Fundo
14 de outubro de 2016

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