OPINIÃO

Lógica

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Sempre fui obstinado em estabelecer a lógica das coisas, tendência que foi se acentuando conforme fui ganhando cabelos brancos. Por exemplo, ao ler sobre a distância entre a terra e o sol ficava-me a perguntar de que maneira os caras chegaram a essa conclusão? E enquanto eu não buscava a informação parecia que estava tomado de uma comichão atordoante semelhante àquela em que queremos lembrar de algo - que está à ponta da língua - e não nos vem. Como sou dependente da ciência a lógica determina meu raciocínio e dita meus caminhos. Mas, ando atrapalhado. Segundo a lógica quando duas pessoas se gostam e estão juntas a felicidade passa a viver junto e, talvez, de forma duradoura – é a lógica. Mas, não é assim que funciona porque gostar um do outro parece não ser o mais importante o gaudio. Segundo a lógica um time de futebol de jogadores caros e com estrutura maior deveria derrotar o time desfavorecido – é a lógica. Segundo a lógica um título universitário não deveria conceder a um presidiário acomodação diferenciada em relação ao preso comum porque o estudado tem discernimento e, portanto, maior conhecimento da prática delituosa. Segundo a lógica quanto mais velhos ficamos, mais sábios ficamos, mais equilibrados e serenos deveríamos ficar. Segundo a lógica, pais bem sucedidos = filhos, idem.


É que eu estava pensando na razão e lembrei de Kant e A Crítica da Razão Pura em que os conhecimentos adquiridos podem ser instintivos ou não e se não nos vêm pelos instintos ou pelas percepções de onde será que vêm? A ciência diz que temos entre quatrocentos a seiscentos mil pontos de percepção das coisas através dos cinco órgãos dos sentidos. Quem será que contou isso tudo? E a grande verdade é que muitos ficam frustrados por não chegar à verdade das coisas. Outros dizem que não é importante chegar à verdade alguma, que navegar é preciso e viver não é preciso.


Então, estamos assim: Carlos Cony morreu e eu gostava tanto de seus comentários na CBN; Ronaldinho se aposentou e eu nunca vi ninguém, com tanta habilidade, privar a todos, principalmente a nós gremistas, a arte a que foi ungido. Certas pessoas deveriam ser para sempre, seria a lógica, mas passam tal qual qualquer imbecil.


Então, eu sessentão deveria saber tanto da vida, o tanto quanto sabia quando era adolescente e, adulto, descubro-me uma criança que quase nada sabe. Não é ilógico? Deve ser por isso que os velhotes passam a ouvir mais do que falar, passam a espetacular arte da contemplação. Paris está a me esperar e quero me sentar no Deux Magots com Zelda e Francis Fitzgerald, Simone e Jean-Paul e Hemingway para falarmos de todas as coisas que não sabemos mas, que adoramos escrever como se soubéssemos.

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