OPINIÃO

Luís Inácio, demiurgo

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Reza a história que os portugueses há 500 anos aportaram a Terra Brasilis e trouxeram a civilização a este país continental. Há controvérsias aos portugueses e ao processo civilizatório. Reza a lenda que vagamos sem rumo até que Luís Inácio, um metalúrgico pobre e semianalfabeto, nordestino e retirante foi ungido, assim como Moisés, Buda e Jesus e trouxe a pujança que o país desfruta. Demiurgo, ou criador, do nada trouxe tudo. Nunca antes tivemos tantos benefícios sociais e econômicos.

Luís Inácio, no entanto, ainda não está no mesmo patamar dos demais deuses e teria sido traído por quarenta companheiros ou trezentos picaretas, a gente se perde nos números. Ali Babá e as mil e uma noites têm ensinado por séculos as artimanhas de se contar estórias a fim de prolongar a sobrevivência. Mil e uma estórias = mil e uma noites. Ainda um misto de Deus e humano, tal qual Aquiles, teria sido atingido no tendão pelo envolvimento com Eva Rosemary, super secretária, que teria induzido o semideus a comer uma maçã, que ele não sabia ser proibida. Induzido ao erro também tal qual Júlio César foi apunhalado e teria dito: até tu, Zé Dirceu? Nada, no entanto,  seria capaz de denegrir a imagem de um homem-deus com tamanha envergadura moral. Dizem que há um movimento, tipo assim: “Lula é meu amigo, mexeu com ele – mexeu comigo”. Deve ser verdade, é uma espécie de castelo de cartas que ao mexer em uma mexe-se com todas. Devem ser cartas marcadas, lógico. Estava lembrando disso, nesta noite de plantão enquanto trabalho e sou, como você, chamado de vagabundo por aquele que faz mais de trinta anos que não trabalha. Sim, ele declarou que nenhum vagabundo seria capaz de derrotá-lo. Ao demiurgo deveria ser indicada a leitura do poema de Fernando Pessoa chamado Poema em Linha Reta, cujo conteúdo sugiro ser apreciado no You Tube numa interpretação não menos genial do talentoso Osmar Prado.

“Nunca conheci quem tivesse levado porrada, meus conhecidos são campeões em tudo. Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência de tomar banho, que tantas vezes tenho sido ridículo e absurdo, que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante, que tenho sofrido enxovalhos e calado, que quando não tenho calado tenho sido mais ridículo ainda, eu que tenho feito vergonhas financeiras pedindo emprestado sem pagar,  eu que tenho sofrido a angústia de pequenas coisas ridículas. Toda a gente que eu conheço e que fala comigo nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu um enxovalho, nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes, da vida. Quem me dera ouvir de alguém a voz humana, que confessasse não um pecado, mas uma infâmia, que contasse não uma violência, mas uma covardia. Arre, estou farto de semideuses. Onde é que há gente nesse mundo?” (resumo do poema).
Um país que necessita de um salvador está irremediavelmente perdido. Bom natal a todos.

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