OPINIÃO

O Pai do Trigo no Brasil

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Sem Iwar Beckman, não existiria o cultivo comercial de trigo no Brasil (pelo menos, não nos moldes que conhecemos atualmente). Eis uma afirmação que pode soar desmesurada, mas que, de forma nenhuma, é de toda destituída de verdade. Basta atentarmos para “o que era” e “o que virou” o cultivo desse cereal em terras brasileiras, desde que esse cientista de naturalidade sueca começou a trabalhar no nosso País, a partir dos anos 1920. E como ele fez isso? É o que podemos descobrir lendo o livro Iwar Beckman, O Pai do Trigo no Brasil.

Iwar Beckman foi quem, no Brasil, efetivamente, colocou Mendel a serviço dos agricultores. Ele, que, na Universidade de Lund, na Suécia, havia estudado e trabalhado com Nilson-Ehle, um dos pioneiros da genética quantitativa, trouxe para os campos brasileiros a redescoberta das Leis de Mendel. Isso mesmo, Mendel entrou no melhoramento genético de trigo no Brasil, em 1925, por intermédio de Beckman. Nesse ano, recém-chegado no País (1924), na antiga Estação de Seleção de Sementes de Alfredo Chaves (Veranópolis/RS), Iwar Beckman realizou o primeiro cruzamento artificial, documentado, em trigo no Brasil: linhagem Alfredo Chaves 6 x trigo Polysú. Surgia aí, pelas variedades oriundas desse cruzamento, a base genética do que podemos chamar de trigos genuinamente brasileiros. A partir de Beckman, a triticultura brasileira não seria mais a mesma. E, a revolução, de fato, viria com a obra prima, o trigo Frontana, lançado em 1940. Frontana foi inovador, pelo ciclo (mais curto), pelo porte (mais baixo), pela resistência a doenças (ferrugens, especialmente), pela tolerância à acidez do solo, pela adaptação ampla, pela qualidade tecnológica (baixa sensibilidade à germinação na espiga), etc. Eis porque ouso afirmar que a história da triticultura brasileira pode ser dividida em a.F. (antes de Frontana) e d.F. (depois de Frontana) ou, se preferirem, em a.B. (antes de Beckman) e d.B. (depois de Beckman).

O esforço de Iwar Beckmam em promover o desenvolvimento do cultivo de trigo no Brasil, todavia, não se limitou ao campo tecnológico (fitotécnico e genético, por exemplo). Ele foi muito além. Quer seja assessorando politicamente governantes, redigindo planos para o fomento do cultivo desse cereal, dando palestra sobre a importância e como bem conduzir as lavouras, escrevendo artigos de opinião ou pela participação ativa em encontros de natureza técnica e cientifica, tanto no País quanto no exterior. Não raras vezes, atuou como diplomata, colocando Bagé, aos olhos do mundo, como um centro de excelência em produção de ciência e tecnologia em trigo.

Aqueles que já admiravam Iwar Beckman pelos seus feitos em prol do desenvolvimento do trigo no Brasil, e eu estou certo disso, depois de lerem o livro Iwar Beckman, O Pai do Trigo no Brasil, o admirarão muito mais. E, os mais jovens na ciência do trigo, que ainda não haviam ouvido falar dele ou, por ventura, desconheciam a importância dos seus feitos, terão, a partir de agora, à disposição, um verdadeiro guia de como produzir ciência de qualidade e com relevância social. Indubitavelmente, não podemos deixar de render nossos respeitos a um homem, que dominava pelo menos oito idiomas (sueco, inglês, alemão, holandês, italiano, francês, espanhol e português), cujos textos, em língua portuguesa, sobre trigo, são tão bem ou até melhores escritos, inclusive, do que os de seus pares brasileiros.

Louvamos a iniciativa dos familiares do insigne geneticista Iwar Beckman, no que toca à produção e publicação do livro Iwar Beckman, O Pai do Trigo no Brasil, passados 46 anos da sua morte, ocorrida em 15 de março de 1971. Apesar de alguns textos esparsos, não havia, até então, nenhuma biografia de Iwar Beckman tão completa quanto essa e que, efetivamente, fizesse justiça ao seu legado. Parabéns Heloísa Beckman e colaboradores!

Os interessados na aquisição desse livro (R$ 40,00) podem fazer contato com Heloisa Beckman, pelo e-mail heloisabeckman@hotmail.com ou via o telefone (0xx53)999999956.

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