OPINIÃO

O quase tudo de Valmor Bordin

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Dois anos, 1961 e 2015, e duas datas simbólicas e abstratas, nascimento (20/07/1961) e morte (10/03/2015), delimitam a vida de Valmor Roberto Bordin. Nesse breve período de pouco mais de 53 anos, o médico e escritor nascido em Jacuntiga (mais especificamente entre Bela Vista e Barão Hirsch) produziu uma obra literária forjada no dia a dia do exercício da psiquiatria, cuja poesia e singeleza das palavras, em algumas ocasiões, e a crueza e a força do texto (com conotação de pesadelos, angústias e lutos exacerbados), em outras, dão ares de alguém que, pela via da literatura, tentou, tentou, tentou... mas não conseguiu deixar de absorver as dores da alma daqueles pacientes que ele diligentemente tratou, quer seja em hospitais ou no consultório, compartilhando graças e desgraças.

Valmor Bordin foi um escritor de estilo lapidado em oficinas de criação literária (foi aluno de Armindo Trevisan, Charles Kiefer e Luiz Antonio de Assis Brasil) e em concursos literários. Sua obra pode ser encontrada dispersa em coletâneas de contos e poesias ou reunidas nos livros Voo Rumo às Asas (2009), O quase-nada (2010), Poemas Famintos (2011) e  Edmundo inventa o mundo (2012). E, ainda que, por ele não estando mais por aqui, alguém possa supor que isso tenha sido o seu tudo, eu opto por um quase tudo. Pois, ainda há muito a ser revelado e absorvido de Valmor Bordin. E esse concurso que a Academia Passo-Fundense de Letras ora está promovendo var dar a prova cabal disso.

Indiscutivelmente, foi pela meritocracia da produção literária deixada, que a Academia Passo-Fundense de Letras (APLetras), no cumprimento da sua missão, voltada ao reconhecimento e à valorização dos escritores locais, escolheu Valmor Bordin para tema da sétima edição do concurso literário da instituição, prevista para 2017.  Sob a denominação “O Solidário e Intenso Valmor Bordin”, cujo cronograma de trabalho iniciou em junho desse ano, o concurso é destinado aos alunos de ensino médio e dos dois últimos anos do ensino fundamental das instituições de ensino passo-fundenses, e deve contar com o apoio da direção das escolas locais e o envolvimento de professores de língua portuguesa/literatura/redação na preparação dos estudantes para a produção de releituras e de criação em prosa ou poesia a partir das obras de Valmor Bordin. Além da premiação em dinheiro aos três primeiros colocados, haverá certificados de participação, aos alunos e professores envolvidos, bem como os trabalhos selecionados serão reunidos em livro, que será lançado em sessão solene da APLetras, em agosto de 2017.

Informações sobre o concurso “O Solidário e Intenso Valmor Bordin” podem ser obtidas com os acadêmicos Agostinho Both, Marisa Potiens Zilio e Dilse Piccin Corteze, na sede da Academia Passo-Fundense de Letras (Av. Brasil Oeste, 792), aos sábados pela manhã, entre 10h e 12h.

Por fim, o nosso apelo, às direções das escolas, aos professores e aos alunos, ENVOLVAM-SE! O resultado é gratificante. Apenas três exemplos são suficientes para corroborar o que eu acabo de dizer. Na primeira edição, sobre Machado de Assis, a aluna premiada foi recebida em visita na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro. No quinto concurso, sobre Moacyr Scliar, além do reconhecimento de Judith Scliar, com a homenagem sendo incluída em obra e na exposição sobre a vida do escritor, exemplares do livro produzido foram solicitados pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos da América. E, em 2015, quando o tema foi “O Irreverente Ignácio de Loyola Brandão”, o lançamento do livro contou com a presença do próprio escritor homenageado, que, apesar do prestígio que goza, tendo recebido recentemente o Prêmio Machado de Assis, dado pela Academia Brasileira de Letras pelo conjunto da obra, não se furtou de participar e, num exemplo raro de humildade, também prestar a sua homenagem aos estudantes e professores que estiveram envolvidos com o concurso que lhe homenageou.

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