OPINIÃO

Os burocratas e a poesia

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Caso I

A placa PARE numa  esquina de uma rua de Passo Fundo perdeu sua frieza. Alguém glosou sua ordem com o sonho. A placa, que antes apenas mandava o trânsito, passou a comandar a vida. NÃO PARE DE SONHAR.  PARE E ABRACE. Com três, ou duas palavras  a mais, foi modificado todo um mundo. O que apenas servia para as máquinas,  passou a instigar as pessoas.  O ordem detendo os carros,  passou a ser sugestão motivando sentimentos.

Tudo corria  bem no Reino da Capital Nacional da Literatura. Mas... Alguns alcaguetes avisaram ao rei.  O fim do mundo estava chegando. Alguém do Reino havia alterado as sagradas placas. Com a ordem PARE alterada a cidade logo se tornaria um caos. Havia uma lei proibindo e tal. Se as pessoas levassem as placas ao pé da letra, sairiam de seus carros, começariam a ter sonhos, os sonhos seriam esparramados pela cidade e tudo perderia seu controle. Se as pessoas levassem as placas a sério, desligariam os carros, e sairiam abraçando todo mundo.

Então o Rei, alertado pelos alcaguetes, consultou a lei. Eles tinham razão. O Código Penal do Reino proibia esse tipo de coisas. Era preciso corrigir as placas com urgência. E prender os culpados imediatamente. Lei é lei.

Caso II

 No estado mais macho do Brasil, numa das cidades mais gaudérias do estado mais macho do Brasil, organizou-se um casamento coletivo num CTG. Toda a cidade, e todo o estado foram vestidos de alegria. Enfim, os peões se juntavam às suas prendas. As prendas, com seu carinho e cuidado, enfeitariam o rancho, preparariam a boia, deixariam perfumadas as bombachas dos peões, e encheriam o galpão de peãozitos e prenditas. Nos dias de domingo,  enquanto as prendas ficariam em casa cuidando do rancho e dos filhos, os peões  iriam para o bolicho tomar canha e se divertir com as pinguanchas. Essas famílias ideais guardariam as tradições da pampa para toda a eternidade.

Mas, de repente, um alcaguete avisa ao Patrão dos Patrões, o rei dos gaúchos.  Alguém com muita observação havia verificado que um dos noivos não tinha na frente da bombacha o volume esperando  como soe acontecer com os machos do pago. Apalpando aqui e ali faltava alguma coisa. O Patrão dos Patrões buscou a lei do pago e descobriu que duas prendas casando seria um desrespeito à família. O pago se revoltou e alguém incendiou o CTG. Lei é lei.  Sem sempre foi assim, assim há de ser para sempre. 

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