OPINIÃO

Os nós brasileiros, da logística e político

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O Plano Nacional de Logística Integrada (PNLI), elaborado pelos Ministérios dos Transportes e a Secretaria Especial de Portos (SEP) elencaram conjuntamente os projetos de investimentos nos portos, rodovias, ferrovias e hidrovias em um horizonte até 2030.

Baixos níveis de investimento em infraestrutura geraram problemas a serem superados, distribuídos em todos os diversos modos de transporte, gerando ineficiências, custos adicionais e acidentes.

Em rodovias, níveis insuficientes de conservação e recuperação; déficit de capacidade da malha em regiões desenvolvidas; inadequação de cobertura nas regiões em desenvolvimento. Em ferrovias, invasões de faixa de domínio; quantidade excessiva de passagens de nível; falta de contornos em áreas urbanas; extensão e cobertura insuficiente da malha.

Nos portos, limitações ao acesso marítimo; restrições ao acesso terrestre (rodoviário e ferroviário); deficiências de retroárea e berços; modelo gerencial da administração portuária desatualizado. Nas hidrovias, restrições de calado; deficiências de sinalização e balizamento; restrições à navegação pela inexistência de eclusas.

Com a descrição da ineficiência nos modais de transportes brasileiros, o PNLI, busca equilibrar a matriz de transporte, hoje muito concentrada nas rodovias. O transporte pelas estradas representa quase 60% das cargas no país, enquanto as ferrovias respondem por 25% e a navegação de cabotagem por cerca, de 13%.O restante é feito via aérea e por dutovias, segundo dados da SEP.

Para se ter uma idéia do desfio brasileiro, basta olhar os dados sobre transportes em alguns países desenvolvidos e em desenvolvimento. Os dados disponibilizados pelo Ministério dos Transportes, na China o transporte por ferrovias corresponde a 37%, rodoviário 50%, aquaviários e outros por 13%. Na Rússia o transporte ferroviário equivale a 81%, o rodoviário 8% e aquaviários e outros por 11%; por sua vez nos Estados Unidos da América (EUA), as ferrovias representam 43%, aquaviários e outros por 25% e as rodovias cerca, de 32%.

Ao analisar esses dados, fica evidente a importância do setor de transportes para o desenvolvimento, que se reflete em princípios e diretrizes, consolidando uma política para o setor. Pois, o Brasil necessita crescer de forma sustentada e a taxas superiores às registradas nas últimas décadas, sendo impossível dissociar a questão da ampliação da infraestrutura com crescimento e desenvolvimento econômico.

Outro fator que obriga a ampliação dos investimentos em infraestrutura é a expansão da fronteira agrícola e mineral, o aumento da demanda pelo aumento do consumo interno e do incremento do comércio exterior basicamente pela elevada cotações internacionais das commodities agrícolas e mineiras, a redução dos níveis de ineficiência quanto a custos, tempos de viagens e acidentes, estimular a maior participação dos modais hidroviário e ferroviário, com maior utilização intermodalidade, ponto importante para o desenvolvimento da indústria do turismo e consolidar a ligação do Brasil com os países limítrofes, fortalecendo a integração da América do Sul.

Ao observar os desafios que o Brasil possui para os próximos 20 ano, pode-se auferir que o PNLI, destinará um enfoque diferente do que o que ocorreu na década de 1980 e de 1990, momento em que o planejamento do sistema viário se restringiu à manutenção e à expansão - embora em pequena escala - dos sistemas de engenharia localizados em áreas economicamente mais dinâmicas, como a existente na faixa litorânea no país, que representa uma das maiores ocupações, de habitantes. Visto que a partir da década de 1990, devido à entrada do capital coorporativo no campo e à emergência da monocultura, essas áreas de economia primária e de produtos agroindustriais de recente ocupação passam a angariar maior inserção no comércio exterior e encontram dificuldades para realizarem o escoamento das mercadorias do interior do país em direção aos portos.

Para atender a demanda de investimentos é preciso previsibilidade e um governo que atue de maneira firme em seu propósito de melhorar o horizonte brasileiro, a crise política deixou o horizonte de recuperação da economia um pouco mais distante.

Parece distante 2030, mas ele está logo ali, para chegarmos bem é preciso resolver o nó político instalado no Brasil, o  risco é voltarmos agora para o mesmo dilema do fim do governo da ex-presidente Dilma, um governo com contas que não fecham e sem força para resolver os problemas.

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