OPINIÃO

Pesadelo no sonho da moradia

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Nada se encaminha bem como solução para grandes necessidades civilizatórias, sem a formação de uma cultura de base. A prioridade habitacional, desejada como política de governo precisa de reforço ampliado. A falta de recursos que abala a governabilidade do país não pode rebaixar o objetivo social de cidadania a patamar de mera conformidade. A compra da casa própria não pode ficar restrita a programas de palanque político. O que acontece em todos os estados vem noticiado como alerta grave no estado de São Paulo. A crescente retomada de habitações pela Caixa Federal, principal financiadora, retrata retrocesso perigoso. São milhares de frustrações de famílias que sufocam a esperança de morar, afetando condições de raiz na vida. A insegurança habitacional não é uma derrapada, mas um choque nas aspirações essenciais.

Reagir

A situação exige postura mais consciente da legião de afetados pela falta de moradia. A carga afetiva e emocional inerente à moradia merece atitudes em relação às políticas públicas e também à consideração das famílias como prioridade. Temos, ainda, uma relação falsa, cotejando bens supérfluos, especialmente o automóvel. A conquista de uma casa própria exige também uma escolha envolvendo dose de sofrimento. Há um custo nesta escolha absolutamente prioritária e obrigatoriamente incorporado à meta de crescimento.  As leviandades e o próprio índice de corrupção degeneram os programas habitacionais. É muito grave o desdém da engenharia civil de responsabilidade pública, na qualidade das habitações mais simples. Muito freqüente a entrega de condomínios populares inaugurados com infiltrações, rachaduras e outras frustrações, sem contarmos a série de imoralidades no setor. Os desenganos no desejo de moradia não podem mais ser tolerados. Além de tudo, os grandes projetos estão eivados pela corrupção.

Força Tarefa

O Conselho do Ministério Público Federal anuncia a prorrogação por mais um ano da força tarefa da Operação Lava Jato. É isso mesmo, a investigação sobre a corrupção não pode ser revogada por manobras que volta e meia aparecem no cenário político. E haverá mais ranger de dentes de corruptos.

Temer vence e povo perde

Escrevo antes da sessão de votação. Não há a menor perspectiva de que os votos dos deputados autorizem o julgamento de Temer pelo Supremo. O presidente atuou diretamente no forte do Jaburu e na liberação de recursos privilegiados e nomeações no Planalto, para garantir votos a seu favor. É lamentável o flerte presidencial com os meios ilegítimos e pouco apreciáveis do ponto de vista moral, embora tolerados em lei. A oposição articula um marco de moralidade e ética, ainda que não alcance os votos pelo prosseguimento da denúncia. Temer tem a convicção de que cooptou os votos para uma vitória pessoal e temporária, mas sabe que a democracia sangra.

Ruralistas

A representação ruralista no Congresso exigiu benefício do governo e obteve escancarada renúncia fiscal. Dívidas previdenciárias serão praticamente perdoadas, com parcelamentos generosos em 14 anos. E lá se vão 10 bilhões em favor da elite econômica.

Em causa própria

O parlamento aproveita e legisla para apagar dívidas de grandes empresas. A iniciativa de deputados, também devedores, reduz até 90% dessas obrigações. Nem o imposto do combustível cobre isso.

Venezuela

Não é possível esconder a crise da Venezuela. Mesmo assim, o Brasil pode perder a concentração em seus desafios. É hora de considerar o alerta: “é próprio da estultice censurar os defeitos dos outros e esquecer os próprios” ( “est proprium stulticie vitia eorum cernere, oblivisci suorum”). Problema que vem de longe.

Retoques:

  • A idoneidade político partidária está péssima. Essa recuperação passa pela penalização de culpados e a consciência do eleitor, sem repetir a falta de memória.
  • Passo Fundo celebra 160 anos de emancipação e pode orgulhar-se de sua história. É um lugar especial para morar.
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