OPINIÃO

Plantar ou não plantar trigo, eis a questão! ?EUR" PARTE 2

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Na edição de O NACIONAL de sexta-feira passada (28/04/2017), essa coluna finalizou replicando argumentos que têm sido usados quase à exaustão em discursos públicos de ocasião, há muitos anos, quando o assunto é a falta de interesse pelo plantio de trigo no Brasil e que, na nossa modesta opinião, por serem parcialmente corretos, apenas tangenciam a solução do problema. São, com relativa facilidade, encontráveis referências a: falta de política agrícola no Brasil. Não procede, pois há instrumentos de crédito, seguro rural, garantia de preço mínimo e de apoio à comercialização. A indústria moageira não quer comprar o produto nacional. Também equivocado, pois, em tese, o moinho local seria o maior aliado do produtor local, mas, em se tratando de negócios, legitimamente, o empresariado desse setor busca qualidade e preços e não carregar estoques para melhor competir no mercado. E outros tantos, como a reiterada guerra fiscal entre as Unidades da Federação (RS x PR, especialmente), que, no caso do trigo gaúcho aporta custos adicionais para o envio dos excedentes de produção para o principal centro consumidor no centro do País. A decisão de equalização de tarifas é de natureza politica e, se convencidos da necessidade e importância pelas organizações de produtores, essa pode ser tomada livremente pelo poder executivos dos Estados envolvidos.  Deficiências de logística, em especial no que se refere ao monopólio da navegação de cabotagem por embarcações de bandeira brasileira, que, quando disponíveis, encarecem o custo de frete por adicionais de renovação da frota da marinha mercante, encargos trabalhistas da tripulação, impostos sobre combustíveis etc. Eis uma questão que se arrasta há muitos anos, sempre referenciada, nunca bem compreendida e muito menos solucionada.  Os atores mais interessados, no caso as organizações de produtores rurais, deveriam, a partir de tratativas feitas junto à representação dos armadores, levar a discussão ao palco do Congresso Nacional; uma vez que estão envolvidas questões positivadas em lei. Representantes da bancada ruralistas, inclusive muitos gaúchos, não faltam no parlamento brasileiro.

Reitero: o desencanto dos produtores rurais com o plantio de trigo no Brasil é uma mera questão de rentabilidade e falta  liquidez do produto no momento da colheita. Mas, apesar da complexidade do problema, há solução; frise-se. Tentar mostrar o caminho da produção competitiva e sustentável de trigo no Brasil e afugentar as aves de mau agouro contra o trigo brasileiro é a nossa intenção. Oxalá essas breves nota consigam motivar, pelo menos, a reflexão crítica sobre o assunto!

Indiscutivelmente, só há um caminho para a triticultura brasileira: alinhar a produção de trigo no Brasil, em preço e qualidade tecnológica, ao mercado internacional.  Não é por outra razão que não se questiona a viabilidade da soja no País (ou não se questionava, até o cenário atual de preços pagos ao produtor rural), por exemplo. Somente assim poderemos falar em uma triticultura genuinamente brasileira, competitiva e sustentável.  Para atingirmos esse status no seleto clube dos países efetivamente produtores de trigo no mundo, há, de plano, duas lições que ainda precisamos fazer melhor.  Uma envolve a gestão da produção de trigo no campo, no que toca ao cumprimento dos papeis do produtor rural/empresário e do assistente técnico. E a outra, diz respeito às organizações dos produtores rurais e agentes públicos dos ministérios envolvidos (Fazenda; Indústria, Comércio Exterior e Serviços; e Agricultura, Pecuária e Abastecimento; especialmente) na proposição de novos instrumentos de política agrícola, prospecção e criação de novos mercados para o trigo brasileiro, superando de vez a ilusória e descabida guerra de interesses entre produtores rurais e indústria moageira nacional. O assunto não se estanca por aqui. CONTINUA NA PROXIMA COLUNA. 

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