OPINIÃO

Teclando

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Trinta de abril

Domingo, a data de 30 de abril mexeu com meu arquivo pessoal. Primeiro pelos 99 anos de Erechim, minha terra natal. Em 1918 Erechim, então oitavo distrito, foi emancipado de Passo Fundo. O 30 de abril também marcou os 60 anos da Rádio Guaíba. Para mim, guaibeiro de carteirinha, a data é muito significativa. Acredito que antes de aprender a falar eu já era apaixonado por rádio. E a Guaíba, à época uma emissora de vanguarda, logo conquistou meus seletivos ouvidos. A credibilidade da Caldas Júnior e o tom de serenidade foram os atrativos. Outro diferencial era a locução comercial feita ao vivo por dois locutores. Mas o destaque tinha o timbre marcante na voz, dicção perfeita e impecável pronúncia de Milton Ferretti Jung no Correspondente Renner. E, claro, o bom gosto musical: a música da Guaíba. Uma programação bem elaborada, excelentes profissionais e qualidade técnica, criaram uma linha da qual não abro mão: o Padrão Guaíba.

Valores explícitos

A música é um melódico arquivo de história. Os contadores dessas histórias mudam de geração em geração. Belchior foi um desses. Ele decifrou os pensamentos da minha geração e, além disso, desmistificou-os. Mas a sua obra é ainda mais importante por instigar o pensamento. Ele cantou aquilo que estava escondido em nossas mentes. A música de Belchior permitiu que compreendêssemos um pouco mais sobre nós mesmos. Propiciou um autorretrato do nosso ridículo. Conquistou-nos com uma linha cotidiana para falar em sonhos e realidade. Não inventou nada. Apenas disse como somos. Ouvíamos e a ficha caia.

Valores expostos

Mostrar para as pessoas que elas são apenas pessoas. Assim resumo o significado da obra de Belchior. Certamente, isso tem muito a ver com o sucesso que obteve. Recordo dele no corredor do antigo prédio da Rádio Planalto. Chegou fumando cachimbo para gravar um programa especial com o José Ernani. Estava no auge, e continuou em alta por muitos anos. Depois protagonizou um sumiço, reapareceu e retomaria a carreira. Mas nunca mais voltou aos palcos e acabou morrendo aqui no Rio Grande do Sul. Belchior teve um final enigmático. Logo ele que ajudou-nos a desvendar os nossos próprios mistérios.

Armando Annes

Armando de Araújo Annes foi intendente de Passo Fundo (1924 a 1928) e prefeito duas vezes (1932 a 1934 e 1947 a 1952). Passou uma temporada em Paris, de onde trouxe ideias da modernidade. Abriu um banco em Passo Fundo, a Casa Bancária Armando Annes, que financiou ao município a importação de um gerador para a Usina Municipal. Como prefeito, deu atenção especial à urbanização e calçamento da cidade. Mas a sua grande obra foi particular, ao vender terrenos para operários e pessoas que sonhavam com a casa própria. Bem melhor do que o antigo BNH, pois eram longos prazos, prestações fixas, sem juros ou correção monetária. Fico intrigado ao não ver o seu nome em uma grande praça, rua ou avenida. Armando Annes merece uma homenagem proporcional ao que representou. Foi um altruísta de avant-garde.

 

Trilha sonora

Belchior na voz de Elis: Como Nossos Pais

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