Tecnologia avalia alimentação de percevejos-pragas

Workshop sobre o tema reunirá especialistas de outros países em Passo Fundo

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· 2 min de leitura
Detalhe do percevejo marrom, praga importante da soja, aramizado sendo sua alimentação monitorada pelo equipamento de EPG Crédito:

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Para entender as preferências alimentares e os danos que as pragas causam dentro das plantas, o pesquisador Antônio Ricardo Panizzi da Embrapa Trigo e o pós-doutorando Tiago Lucini aprofundaram os estudos com o uso do EPG – Electrical Penetration Graphic, equipamento que permite acompanhar o comportamento alimentar de insetos sugadores. Para compartilhar o conhecimento adquirido nos últimos 5 anos, foi estruturado um Workshop sobre uso de EPG em percevejos-pragas em laboratório. O Workshop vai reunir 15 profissionais especializados, alguns vindos do exterior (Inglaterra e Uruguai), na Embrapa Trigo (Passo Fundo, RS) de 01 a 04 de abril.

 

O equipamento consiste em sensores, ligados aos insetos e aos alimentos, que captam o processo e registram as informações em computador. Um fio de ouro é fixado ao inseto com cola de prata, transferindo informações em forma de ondas que são interpretadas com a ajuda de um software. Quando o inseto penetra na planta, é gerado um circuito elétrico, onde uma corrente de baixa intensidade circula pelo sistema. A energia passa pela planta hospedeira, pelo inseto e retorna ao monitor em forma de sinais que registram ondas em um gráfico. Assim, é possível interpretar como os insetos estão se alimentando, qual o local na planta, quanto de alimento é extraído, quais os horários e o tipo de dano. Visualmente, o resultado é semelhante a um eletrocardiograma, exame comum em seres humanos onde sensores registram a intensidade dos batimentos cardíacos em forma de ondas.

 

Nos principais centros de pesquisa no mundo, que trabalham com pragas em laboratório, o EPG é utilizado, principalmente, para monitoramento da atividade alimentar de afídeos (popularmente conhecidos como pulgões). O desafio dos pesquisadores aqui foi utilizar a tecnologia em percevejos, insetos que apresentam maior movimentação durante o processo alimentar. Segundo Panizzi, na pesquisa com percevejos a dificuldade aumenta, pois a aderência dos materiais eletrônicos ao corpo do inseto é dificultada pela robustez e hábitos inquietos: “tivemos que testar inúmeras formas de fazer a chamada ‘aramização’ dos percevejos para conectá-los ao equipamento de EPG. O resultado foi alcançado lixando-se a superfície do inseto com lixa odontológica para conectar o fio de ouro, que além de flexível permite a transmissão da corrente, e a cola de prata, que mantém o filamento preso ao inseto”.

 

Percevejos
Várias espécies de percevejos ocorrem nas culturas do trigo, soja e milho sendo considerados insetos-pragas de elevada importância econômica. Na Embrapa Trigo, cinco espécies de percevejos-pragas já tiveram seu comportamento alimentar determinados pela técnica do EPG. Através do EPG foi possível registrar os locais específicos de alimentação nas diferentes estruturas das plantas. Esse tipo de resultado poderá ajudar nas estratégias de controle das pragas, pois através de técnicas de biotecnologia, poderão se expressar genes que controlam a produção de toxinas nos locais da planta onde ocorre a alimentação dos percevejos. De acordo com o pós- doutorando Tiago Lucini, os estudos na Embrapa Trigo deverão servir de apoio ao melhoramento de plantas, selecionando linhagens mais resistentes às pragas. Além disso, o EPG tem sido aplicado no estudo do comportamento de novas moléculas inseticidas na avaliação da eficácia no controle das pragas e no estudo dos mecanismos de transmissão de viroses.

 

Workshop
O Workshop sobre uso de EPG em percevejos em laboratório vai contar com 32 horas de teoria e prática, envolvendo a manipulação de equipamentos e reagentes. Com a orientação de instrutores especializados, os participantes deverão aplicar os conhecimentos em procedimentos específicos sobre o monitoramento do processo alimentar de percevejos, incluindo o preparo dos percevejos para uso no EPG, metodologia de aramização (conexão com o fio-de-ouro ao inseto e ao equipamento), manipulação do aparelho com familiarização aos ajustes dos vários controles, e preparo de material para estudos histológicos. As vagas disponíveis nesse primeiro Workshop foram preenchidas e as inscrições estão encerradas.

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