A ferrovia que colocou Passo Fundo no mapa

A Gare está começando a se transformar num grande parque, com atrativos culturais, turísticos e de lazer. O espaço pode ser considerado o patrimônio histórico mais importante de Passo Fundo. Sem que aquele local tivesse sido criado, há mais de 100 anos, o município certamente não seria o que é hoje

Por
· 2 min de leitura

Notamos que você gosta de ler nossas matérias.

Você já leu várias nas últimas horas, para continuar lendo gratuitamente, crie sua conta.

Ter uma Conta ON te da várias vantagens como:

  • Ler matérias sem limite;
  • Marcar matérias como lida;
  • Conteúdo inteligente.
Criar contaAcessar
Você prefere ouvir essa matéria?

O local considerado de maior relevância dentre o patrimônio histórico de Passo Fundo está prestes a se transformar, de fato, em um parque, onde estarão garantidos espaços de lazer, cultura e turismo. A Gare está começando a passar por um processo que lhe trará vida nova, onde o moderno vai se misturar com o histórico. Mas por que a escolha de fazer um parque nesta área? Porque, simplesmente, foi a partir da ferrovia, e em volta dela, que Passo Fundo se criou, e foi através dela que desenvolveu os principais setores da economia, que movimentam o município até hoje.

A justificativa da importância da Gare no contexto de Passo Fundo começa ainda no ano de 1898, quando a estação começou a ser construída. Foi em volta dela que se formou uma das principais vias da cidade, a avenida Sete de Setembro, que percorre o perímetro urbano quase como um anel. Ao longo desse traçado se formaram o comércio, a indústria e o agronegócio. O comércio para atender uma nova burguesia que se formava, a indústria que primeiramente se ocupou da extração de madeira, e o agronegócio que aproveitou a ferrovia para o escoamento da produção.

“Passo Fundo foi formada dentro daquele contexto das tropas. Quando, no final do século 19 chegou na cidade a ferrovia vinda de Santa Maria, as coisas começaram a mudar”, explica a secretária municipal do Planejamento, Ana Paula Wickert, arquiteta, que também desenvolveu trabalho de resgate histórico da Gare e participou da elaboração do projeto de recuperação do Parque da Gare.

A obra da ferrovia, na verdade, se iniciou no ano de 1898, mas ficou parada até 1907, quando foi retomada para então ser inaugurada em 1910. A partir disso, ela traz para Passo Fundo um novo indutor de crescimento. Com a necessidade de se criar caminho para chegar até o portão da ferrovia, foi construída uma avenida diferenciada, que é a General Netto, promovendo as primeiras mudanças no cenário. “A ferrovia quando chegava significava que aquela cidade tinha tudo para se transformar numa cidade moderna, pujante economicamente e viva. E realmente foi o que aconteceu, porque a partir daí a população de Passo Fundo cresceu muito, praticamente quadruplicou e a cidade realmente teve um fomento econômico importante”, argumenta Ana Paula.

Começando a aparecer no mapa

Até este momento da história, Passo Fundo era uma cidade com pouco mais de dois mil habitantes e, tal como o restante do Rio Grande do Sul, estava isolada do restante do país. “Toda essa área, até a divisa com Santa Catarina, eram densas florestas que foram desmatadas na época e essa região toda enriqueceu muito com a venda da madeira”, comenta a secretária. Aliado a isso, a ferrovia também, nos seus primeiros anos, transportava as tropas da Revolução Federalista. “Na verdade foi um novo eixo, um novo caminho, teve todo um novo significado: passou a ser uma cidade moderna, onde as pessoas paravam, posavam para ir a São Paulo, porque o trem não ia direto. Foi um fomento para a criação dos hotéis, toda uma arquitetura e um patrimônio se desenvolveram dessa época que ainda é remanescente, que são o Hotel Glória, Hotel Avenida, Hotel Internacional, o silo e o moinho porque então começaram as produções agrícolas”, ressalta.

Onde hoje está sendo feita a obra, existiam várias edificações. “Não era uma área limpa. Ali existiam oficinas. Passo Fundo era uma estação de segunda classe. Santa Maria e Cruz Alta eram de primeira classe e Passo Fundo, pelo porte da cidade, era de segunda classe, e as demais estações da linha eram de terceira classe ou paradas”, explica. A linha que passava por aqui, ligava Santa Maria a Itararé em São Paulo, e era o que fazia a conexão do Rio Grande do Sul, até então isolado, com restante do Brasil, “por isso que tem todo esse significado”, completa.

Gostou? Compartilhe