Dal Agnol e Salomão frente a frente

Audiência de instrução realizada, na 3ª Vara Crime, colocou o advogado na condição de testemunha de acusação contra o empresário

Por
· 2 min de leitura
Dal Agnol participou de audiência na condição de vítima de SalomãoDal Agnol participou de audiência na condição de vítima de Salomão
Dal Agnol participou de audiência na condição de vítima de Salomão

Notamos que você gosta de ler nossas matérias.

Você já leu várias nas últimas horas, para continuar lendo gratuitamente, crie sua conta.

Ter uma Conta ON te da várias vantagens como:

  • Ler matérias sem limite;
  • Marcar matérias como lida;
  • Conteúdo inteligente.
Criar contaAcessar
Você prefere ouvir essa matéria?

Os dois personagens que se notabilizaram pelo histórico de golpes aplicados em vítimas de Passo Fundo e região, cada um agindo a sua maneira, ficaram frente a frente ontem à tarde. Uma audiência de instrução realizada, na 3ª Vara Crime de Passo Fundo, colocou o advogado suspenso, Maurício Dal Agnol, na condição de testemunha de acusação contra o empresário Anderson de Azevedo Salomão, 32 anos. Os dois permaneceram por cerca de 20 minutos diante do juiz Orlando Faccini Neto. Logo após a audiência, ambos foram levados para o Presídio Regional de Passo Fundo. 

Acusado de ter aplicado um golpe milionário envolvendo ações de telefonia da extinta CRT, e de ter lesado mais de trinta mil pessoas, Dal Agnol prestou depoimento na condição de vítima de Salomão. Os dois foram conduzidos do presídio até o fórum na mesma viatura da Susepe. A audiência iniciou às 13 horas, e reuniu mais de 40 testemunhas de defesa e acusação, no corredor do quarto andar do prédio. Parte dela foi liberada e convocada a comparecer numa nova data.

O caso envolvendo Dal Agnol e Salomão, e que deu origem ao inquérito, está relacionado com a compra de um prédio no valor de R$ 5,8 milhões. Segundo o MP, para adquirir o imóvel, Salomão vendeu uma casa, avaliada em R$ 1, 3 milhão, cujo valor não foi repassado ao proprietário. Depois de falsificar a procuração, alterando a data de vencimento do documento, ele o revendeu por R$ 1,6 milhão para Dal Agnol, sem que os verdadeiros proprietários tomassem conhecimento da negociação. Na audiência também foram ouvidas testemunhas referentes a outros casos de estelionato.

Investigação
O empresário Anderson de Azevedo Salomão foi preso no dia 24 de setembro, dois dias após a prisão de Dal Agnol. Ele foi surpreendido numa academia em Balneário Camboriú, litoral catarinense. Somente em um dos processos instaurados contra ele são pelo menos 12 fatos, incluindo acusações de estelionato, falsificação de documento público e uso de documento falto. Pelo menos outros 15 inquéritos foram abertos na Polícia Federal. As investigações apuraram que ele comprava imóveis por um determinado valor e, sem pagar ao proprietário, os revendia por um preço reduzido. Também é acusado de fornecer cheques sem fundo e falsificação de documentos públicos. A mãe do empresário, Melani Rodrigues de Azevedo também responde pelos mesmos crimes.

Liberdade negada
Na semana passada, a Justiça negou o pedido de liberdade provisória encaminhado pela defesa de Salomão. Um dos argumentos utilizados era de que o empresário fora preso pela Polícia Federal, que, de acordo com o pedido dos advogados, não teria a atribuição de investigar crimes de estelionato e falsificação de documentos em âmbito estadual, uma vez que a acusação partira do Ministério Público do Estado e não do Ministério Público Federal.

Outra alegação da defesa foi em relação ao fato de o empresário ter sido algemado e assim permanecido durante o trajeto feito da Delegacia da Polícia Federal de Itajaí, onde ficou sob custódia logo após a prisão e Passo Fundo. O argumento também foi superado com uma declaração no auto de prisão do acusado em que há referências à “periculosidade e histórico violento” do acusado.

Segundo o despacho do juiz Orlando Faccini Neto, o Ministério Público Federal decidiu que a ação deveria transcorrer na Justiça do Estado, onde havia iniciado e que a investigação poderia sim, ficar a cargo da Polícia Federal. Na decisão, o juiz também afirmou que o poder aquisitivo do acusado poderia facilitar uma fuga.

Gostou? Compartilhe