OPINIÃO

Ferritina alta: e agora?

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A ferritina é um exame que hoje em dia tem sido muito utilizado na prática clínica pelas mais diversas especialidades e, muitas vezes, como parte dos exames de rotina de pacientes assintomáticos. Desta forma, temos convivido cada vez mais com as suas alterações. Por isso, é importante revisarmos e entendermos para que serve este exame e o que devemos fazer quando nos deparamos com um resultado elevado. Diferentemente do que muitos pensam, a sua elevação (hiperferritinemia) não significa somente depósitos de ferro elevados no organismo, podendo ser secundária a outras situações fora deste cenário.
A ferritina é uma proteína que está relacionada com o armazenamento do ferro, principalmente no fígado, estando aumentada em doenças primárias e secundárias de sobrecarga de ferro. Está presente em todas as células, especialmente naquelas envolvidas na síntese de compostos que contêm ferro (precursores dos glóbulos vermelhos) e no metabolismo e reserva do ferro (hepatócitos e macrófagos). A ferritina circulante reflete diretamente no nível de ferro estocado no organismo, e este é facilmente mobilizável quando o organismo necessita. Valores elevados indicam investigação complementar e níveis acima de 1000 µg/l sempre devem ser avaliados.
A hiperferritinemia pode estar relacionada com o excesso de ferro de uma forma primária (hereditária), como na hemocromatose hereditária, no qual o organismo sofre as consequências do acúmulo de ferro nos tecidos a longo prazo. De forma secundária, como por exemplo em pacientes que recebem muitas transfusões de sangue por outra doença de base e também desenvolvem sobrecarga de ferro posteriormente, como por exemplo nas hemoglobinopatias (anemia falciforme, talassemia), mielodisplasias ou outras doenças crônicas. O tratamento de ambas formas se relaciona com a retirada do ferro do organismo: através de sangrias terapêuticas nas formas primárias e de medicações orais nas formas secundárias.
É muito importante ressaltar, por outro lado, que a ferritina faz parte do grupo de proteínas de fase aguda, ou seja, é também um marcador inflamatório, estando elevada em uma série muito ampla de doenças, como inflamações, infecções, traumatismos, neoplasias, síndrome metabólica (colesterol elevado, obesidade, hipertensão), entre outras causas. Neste contexto, a hiperferritinemia não se associa diretamente com a sobrecarga de ferro, mas sim como uma alteração secundária e o tratamento principal está relacionado com o tratamento da causa de base.
Desta forma, quando consideramos as doenças do ferro, não podemos analisar os níveis de ferritina de forma isolada. É imprescindível o acompanhamento médico e investigação clínica apropriada para podermos correlacionar a história clínica e os exames laboratoriais e, assim, determinar a causa da hiperferritinemia e o tratamento adequado para cada situação.

Dra. Daiane Weber
Médica Hematologista do Instituto do Câncer – Hospital São Vicente

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