Presidente do MTG anuncia que não irá concorrer à reeleição

Gilda Galeazzi, 65 anos, diz que decisão foi tomada por questões de saúde

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A primeira mulher da história do Rio Grande do Sul a comandar o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) e atual presidente da entidade, Gilda Galeazzi, anunciou que não irá mais concorrer à reeleição no cargo devido a problemas de saúde. A passo-fundense tomou posse no início deste ano, em eleição que contou com polêmicas e foi parar na justiça. O anúncio foi feito por Gilda na última semana, através de nota publicada em suas redes sociais.

A atual gestão de Galeazzi se encerrará no final de fevereiro de 2021. No último final de semana do mês em questão, ocorrerá o congresso que irá definir o(a) novo(a) representante da entidade. Junto a decisão, a presidente do MTG também comunicou sua indicação para a sucessão do cargo. Trata-se de Silvania Affonso, coordenadora da 21ª Região Tradicionalista (RT). “Uma mulher guerreira, combativa, de um coração gigante”, disse Gilda, em nota. De acordo com Galeazzi, ela representa uma continuidade no projeto, mas também poderá implementar outras atividades.

Motivos pela decisão

Desde outubro de 2019, a presidente do movimento vem tendo sua rotina afetada por dois problemas de saúde, sendo eles uma arritmia cardíaca e refluxo na válvula mitral. Como consequência, Gilda é acometida por um maior cansaço físico, fator que também é intensificado pela falta da prática de atividades físicas, uma vez que ela faz parte do grupo de risco do novo coronavírus e está isolada em casa desde o início da pandemia. “Isso me deixa abalada e o médico achou melhor eu diminuir o ritmo das atividades”, explica.

Na tomada de sua decisão, Gilda apontou que o seu isolamento a ajudou a refletir sobre sua vida e condições de saúde. “Por decisão médica e familiar, achamos melhor eu não correr o risco de ter outra crise cardíaca por causa do MTG”, comenta. Após o término de seu mandato, a atual presidente da entidade indica que deverá dedicar um tempo para sua vida particular e, após isso, decidir se voltará a disputar algum cargo no MTG. “Neste ano de 2021, provavelmente não retornarei para nenhuma atividade”, pontua Galeazzi.

Disputa 

Gilda gravou seu nome na história do MTG no início de 2020, tornando-se a primeira mulher a ser presidente da entidade. Na ocasião, a passo-fundense disputava o cargo com a professora, Elenir Winck. No momento da votação, as duas candidatas empataram em número de votos (530 para cada) e o critério de desempate apontava para a vitória da candidata de maior idade, no caso, Gilda. Entretanto, foi decidido pelo MTG dar a vitória para Elenir, devido a um membro mais velho em sua chapa. Com o imbróglio, a decisão foi parar na justiça e, após uma liminar, houve a determinação da vitória de Galeazzi.

Atuação do MTG durante a pandemia

Desde o início da pandemia da Covid-19, inúmeros setores da sociedade vêm sofrendo as consequências financeiras geradas pelo isolamento social e demais protocolos de segurança necessários para a contenção da doença. Por sobreviver exclusivamente da realização de eventos, os Centros de Tradições Gaúchas (CTG) são entidades que passam por um momento difícil atualmente e possuem suas portas fechadas desde março. “Os CTGs que não têm criatividade para fazer algo que chame a atenção da população, estão com dificuldades financeiras para honrar seus compromissos”, indica Gilda.

Segundo ela, a principal ação do MTG durante o período de pandemia no auxílio das entidades foi a pressão ao governo do Estado visando que os CTGs fossem contemplados pela renda distribuída pelos editais da Lei Aldir Blanc. Entretanto, apesar da ação ter ajudado, a maior parte das entidades não teve auxílio financeiro por parte dos editais. “Estão sobrevivendo com as condições que a patronagem consegue administrar”, aponta.

Situação dos CTGs

O anúncio do governo do Rio Grande do Sul dos protocolos e regras para a realização de eventos de maior porte, ocorrido no último final de semana, gerou expectativas quanto a uma melhora da atual situação dos CTGs. Em caso de liberação das entidades para reabrirem suas portas, seria possível voltar a realizar as atividades e contar com os lucros de eventos, ainda que reduzidos, devido a limitação de público dentro da estrutura. “Com isso, os CTGs começariam a voltar sua vida normal”, avalia a presidente.

Porém, pelo cenário de dificuldades econômicas, algumas entidades poderão ser fechadas permanentemente. Conforme Gilda, essas decisões só serão feitas após a pandemia. “Depois que forem liberados os eventos nas entidades, poderemos dizer qual a defasagem que houve nos CTGs. A gente não sabe a quantidade que podem ser fechados ou não, só no pós-pandemia teremos esse percentual e estatística”, declara. Atualmente, existem 1.731 CTGs no RS.

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