“Podemos chegar na exaustão hospitalar”, diz médico

Aumento dos casos e descredenciamento de leitos preocupam autoridades de saúde

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Passo Fundo tem 43 leitos ativos, entre credenciados e aguardando o processo de habilitação (Foto: Arquivo/Secom)Passo Fundo tem 43 leitos ativos, entre credenciados e aguardando o processo de habilitação (Foto: Arquivo/Secom)
Passo Fundo tem 43 leitos ativos, entre credenciados e aguardando o processo de habilitação (Foto: Arquivo/Secom)
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Com o crescimento acelerado de novos casos de Covid-19 em Passo Fundo, o atendimento dessa demanda voltou a preocupar as autoridades de saúde. Isso porque o novo pico de contágio acontece justamente após o governo do estado ter descredenciado (deixado de pagar) pelos leitos. Essa medida foi adotada com base na redução dos casos no município, entre o final de agosto e início de outubro. Somente no Hospital São Vicente de Paulo, o maior da cidade, segundo o diretor técnico, Adroaldo Bassegio Mallmann, eram 30 leitos de UTI credenciados. 

Mesmo com o descredenciamento, a instituição manteve 10 leitos. Com o aumento da demanda, o governou estadual solicitou a abertura de outros 10. “Acredito que vamos ser remunerados. A instituição é privada e filantrópica, que presta um serviço para o governo estadual e federal”, afirmou Mallmann. 

A 6ª Coordenadoria Regional de Saúde informou a existência de 43 leitos ativos no município, entre credenciados e aguardando o processo de habilitação. No último boletim epidemiológico divulgado ontem à tarde, a cidade tinha 34 pacientes em UTIs.

Responsável pela Coordenadoria, Marcelo Pacheco diz que a solicitação para habilitação já foi encaminhada ao Ministério da Saúde, responsável pelo credenciamento. Segundo ele, atualmente a região coberta pela 6ª Coordenadoria tem 70 leitos Covid UTI habilitados. 

Preocupação

O momento é de preocupação, considerando o aumento dos casos e a proximidade com as festas de final de ano. “Não pode ter aglomeração e falta de máscara”, ressalta Adroaldo. O médico acredita que a população tende a não respeitar os protocolos nessas datas. “Já estamos enfrentando, se for andar nas ruas, vai encontrar happy hours lotados, ninguém usando máscara, fazendo distanciamento, até higiene não está sendo feita”, relata. A consequência pode ser grave: “podemos chegar na exaustão hospitalar, o que Passo Fundo nunca teve”, diz o diretor. 

Segundo ele, o momento mais grave ocorreu em julho. “Está voltando a ter um índice como se fosse no mês de julho. Se continuar vamos voltar para aquele processo”, explica o médico.

Profissionais de Saúde

Após quase nove meses de pandemia, os profissionais de saúde estão cansados. “Estamos com dificuldade para contratar profissionais para tratar na área de Covid”, conta o diretor. A mesma dificuldade foi relatada na última semana pelo diretor técnico do Hospital de Clínicas (HC), Juarez Antonio Dal Vesco, que disse trabalhar semana por semana com o efetivo “apertado”. “Eles estão começando a ficar doentes, não só de Covid, mas por ficarem enclausurados”, conta Adroaldo. Isso é causado pelo equipamento de proteção individual (EPI) e pelo isolamento. 

Esses fatores estão levando a ansiedade e depressão dos trabalhadores. “Acredito que a população deve ter um pouco de consciência, pensar naquelas pessoas que estão ali para atender. Quando ficam doentes correm para os profissionais, mas e se não tiver?”, questiona o médico. “O distanciamento, a máscara e a higiene tem que permanecer constantemente”, destaca.

Não é só covid

Além da doença causada pelo coronavírus, os hospitais seguem atendendo outras enfermidades. “As outras patologias continuam, não no ritmo anterior, mas quase”, afirma o diretor. Os acidentes, que tinham diminuído, também voltaram a crescer. “Esses são dados que chamam a atenção e preocupam”, destaca Adroaldo.

Novas regras

Os novos protocolos estaduais são, em geral, aprovados pelo médico. “São restrições adequadas”, comentou. A continuidade do comércio e a interrupção dos buffets são consideradas por ele corretas. Assim como o fechamento de casas noturnas e proibição da maioria dos eventos.

“Isso não pode, é correto não deixar, porque sempre vai existir aglomeração, desde a entrada", diz o diretor. A opinião é a mesma para piscinas e clubes. Entretanto, ele questiona a manutenção do ensino híbrido. "Um ano com a escola online, por que presencial agora? Criança não faz distanciamento e pode ser portador. Já tivemos vários casos de crianças com Covid”, conta o médico.

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