“Eu governei em meio a duas grandes crises”

Na semana em que fará a transição do governo municipal, o prefeito Luciano Azevedo (PSB) avalia os oito anos à frente da Prefeitura de Passo Fundo

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Na sexta-feira (1°), os passo-fundenses amanhecerão com um novo gestor após oito anos sob o comando de Luciano Azevedo (PSB). Em entrevista ao jornal O Nacional, o prefeito avaliou os dois mandatos, os desafios da crise sanitária do coronavírus e a transição de governo junto ao sucessor, Pedro Almeida.

O NACIONAL: Prefeito, após oito anos à frente da Prefeitura, qual é maior legado que o senhor deixa para a comunidade?

Luciano: Olha, foi um governo que mudou alguns paradigmas. Primeiro, ele foi formado baseado em critérios técnicos. Nós formamos um grupo de secretários que foi buscado na iniciativa privada e nas universidades e que procuraram trabalhar com uma visão de metas, prazos e entrega para a comunidade. Então, acho que isso foi uma marca do governo. Em cima disso, foram construídas as ações do governo: o maior número de escolas entregues em uma gestão; mais de 1,5 mil quadras de asfalto pavimentadas; dezenas de novas unidades de saúde e recuperação do Hospital Municipal. Tudo isso em uma gestão que foi muito séria no ponto de vista da utilização dos recursos públicos. Terminamos o mandato sem dívidas, com recursos em caixa e contas em dia. Isso vale muito no Brasil de hoje.

ON: Dentre as pretensões de campanha, faltou algo que o senhor gostaria de ter realizado e não deu tempo?

Luciano: Eu acho que basicamente tudo o que foi proposto nas campanhas eleitorais foi executado. Foi um governo que teve planejamento e trabalhou tecnicamente. Então, conseguimos fazer mais com menos economizando recursos que, em alguns casos, poderiam ser economizados e otimizando esses recursos para eles pudessem ser revertidos em obras para atender a comunidade.

ON: Prefeito, um dos grandes desafios dos gestores passo-fundenses é a questão de licitação do transporte público. Por que é tão difícil resolver esse conflito?

Luciano: Veja, nós fizemos o edital e cumprimos todas as etapas, mas infelizmente é um tema sensível que acabou judicializado em Passo Fundo. Todos os procedimentos que a Prefeitura tinha de adotar, adotou e o processo está em andamento. Possivelmente, será concluído no próximo governo.

ON: Passo Fundo foi uma das primeiras cidades do Estado a fechar o comércio e a impor medidas mais restritivas no enfrentamento à pandemia. Ainda assim, é o quarto município mais infectado pelo coronavírus. Quais foram as principais dificuldades que o senhor encontrou no gerenciamento dessa crise sanitária na cidade no último ano do seu mandato?

Luciano: As dificuldades são comuns para todos os gestores do mundo, não é? Nenhum lugar do mundo estava preparado para enfrentar essa crise do coronavírus. Todas as ações implementadas aqui em Passo Fundo foram, basicamente, as mesmas que foram implementadas em outros municípios gaúchos e brasileiros, e não houve diferença no tempo. Com exceção de alguns dias, todos os municípios suspenderam as atividades na mesma época. Por isso, as medidas tomadas aqui foram discutidas com os órgãos técnicos em uma situação que era desconhecida de todos e que vem a cada dia se transformando. Um exemplo disso: Passo Fundo chegou a ser a primeira cidade em número de óbitos, hoje é a 9ª. Isso mostra que as coisas estão acontecendo da mesma forma em todos lugares.

ON: Essa crise sanitária vai, inclusive, marcar os primeiros meses do governo do seu sucessor, Pedro Almeida. Como é que vocês estão trabalhando essa transição?

Luciano: A transição trata de todos os temas desde a economia até temas de outras áreas, inclusive da pandemia. As equipes técnicas da Secretaria de Saúde não pararam de trabalhar. Vai haver uma troca de comando no governo, mas as políticas de enfrentamento ao coronavírus são articuladas com o Governo Federal e com o Governo do Estado. Eu tive uma participação na eleição como apoiador. O Pedro foi o candidato do meu partido, da nossa coligação e eu participei da campanha defendendo o projeto que nós lideramos aqui por oito anos. A partir de agora, evidentemente, eu vou torcer muito, como qualquer passo-fundense para que as coisas deem certo e para que ele faça um grande governo.

ON: E qual é o seu futuro na política, prefeito? O senhor pretende se candidatar a deputado federal?

Luciano: Acho que é cedo para falar disso. Estamos encerrando um período longo de governo e sou muito agradecido pelo apoio que sempre tive da comunidade e pela oportunidade de ser prefeito de Passo Fundo. Eu governei em meio a duas grandes crises. A crise do coronavírus e a grande crise econômica de 2015/2016. Essas crises abalaram a economia dos municípios e fizeram com que muitas prefeituras e governos estaduais atrasassem salários, interrompessem obras e paralisassem a máquina pública. Aqui em Passo Fundo, nós sempre pagamos em dia, fizemos obras e mantivemos os serviços públicos funcionando. Isso é um retrato de um governo que teve planejamento e que foi muito sério em relação aquilo que se propôs. Procurei fazer o melhor que eu pude com muita humidade e respeito. Agradeço muito a todos que estiveram ao meu lado dentro e fora da Prefeitura. A eleição está distante e é cedo para falar sobre qualquer decisão. 


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