Chuva na dosagem do verão

A estação mais quente do ano terá influências das frentes frias e do Oceano Atlântico

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Gilberto Cunha: ?EURoese for bom para o veraneio, também será bom para as lavouras?EUR?.Gilberto Cunha: ?EURoese for bom para o veraneio, também será bom para as lavouras?EUR?.
Gilberto Cunha: ?EURoese for bom para o veraneio, também será bom para as lavouras?EUR?.
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O Verão começou no domingo no Hemisfério Sul  à 1h19min  da madrugada e nesta temporada sem influência dos conhecidos fenômenos El Niño ou La Niña. A possibilidade de uma estiagem preocupa agricultores. Institutos de Meteorologia, como o MetSul prevê estiagem de até 90 dias.  O agrometeorologista da Embrapa Trigo em Passo Fundo, Gilberto Cunha,  minimiza o quadro para o verão. “Nesses três meses o Sul do Brasil não está sob o impacto de algo relacionado com a temperatura das águas do Oceano Pacífico. Não estarão atuando El Niño ou La Niña”, deixa claro. Ele explica como isso poderia influenciar no verão. “Nosso clima não é governado exclusivamente por El Niño ou La Niña, embora seja conhecido que as chuvas fiquem acima do normal em anos do El Niño e abaixo sob a influência de La Niña”. Porém, de acordo com Cunha, existem outros fatores relacionados ao verão 2020. “Neste caso específico nosso clima terá influência, por exemplo, da passagem de frentes frias e do comportamento do Oceano Atlântico no Sul do Brasil, Uruguai e Argentina. Diante desse quadro, a expectativa é que a chuvas fiquem ao redor dos padrões normais do clima”. Então, pode haver estiagem? Gilberto Cunha explica que “aleatoriamente pode ocorrer, mas dificilmente se vai ter 90 dias sem chuvas como estão sugerindo”.

Veraneio e lavouras

Gilberto Cunha, no entanto, entende que “períodos de estiagens curtas podem ser considerados normais nesta época do ano (verão). Evidentemente, podem causar impactos”. Preventivamente, ele alerta para importância da seguridade e da gestão do problema. “Neste verão teremos um pouco menos de chuva no Sul, enquanto no Sudeste e no Centro-Oeste haverá mais chuva. Isso pela interferência da zona de convergência do Atlântico Sul. Se as águas frias do nosso litoral (RS) estiverem quentes, haverá mais chuva nas nossas lavouras. Ou seja, se for bom para o veraneio, também será bom para as lavouras”.

Seguro e gestão do solo

Porém, diante das incertezas do clima, o que fazer? “Primeiro é necessário adotar uma gestão efetiva riscos, que passa por uma adesão aos programadas de seguro rural, públicos ou privados”. Cunha também alerta para os cuidados relacionados à lavoura “acima de tudo construindo uma capacidade do solo suportar melhor os extremos do clima. Isso via a doção de práticas de agricultura conservacionista”. Para exemplificar, o pesquisador da Embrapa destaca “o plantio direto em sua plenitude”. Também lembra que é necessário adotar esquemas de rotação de culturas. “É importante a manutenção permanente da cobertura do solo e a eliminação das camadas de impacto, físicas ou químicas, que impedem o aprofundamento das raízes no solo. Além disso, é necessário o aumento de matéria orgânica para absorver mais água. E, ainda, sistematizar as áreas para que as águas da chuva não escorram para fora das lavouras”. Cunha explicou que essas medidas devem ser tomadas em um prazo mais longo e não emergencial. “Isso se constrói ao longo do tempo com adoção dessas práticas e com competência na gestão das propriedades”.

Capacidade

O Superintendente da Corsan de Passo Fundo, Aldomir Santi, garante que, mesmo na hipótese de uma estiagem mais prolongada, os reservatórios que abastecem a cidade estão com suas capacidades máximas. O Arroio Miranda tem cerca de 1,8 milhão de metros cúbicos de água e a Barragem da Fazenda 3,3 milhões de metros cúbicos. O suficiente para abastecer a cidade durante três meses, sem chuva. Na última estiagem, em 2011, a Corsan também instalou equipamentos para transpor água do Rio Jacuí e do lago da Pedreira. Os dois dispositivos estão funcionando e se houver necessidade, podem ser acionados.

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