"?? uma doença séria, mas agora vamos nos cuidar"

Marauenses foram os primeiros pacientes com Covid-19 a receberem alta no HSVP

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A primeira sensação que o produtor rural, Alceu Antonio Bassi, teve ao acordar, na manhã de terça-feira (7), foi a de conforto por enxergar a esposa, Alice Madalena Dalmasso Bassi, e não mais as paredes do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP). Após duas semanas de internação, ele e o pai, Honorino Bassi, foram os primeiros pacientes diagnosticados com a infecção por Covid-19 a terem o prontuário de alta médica assinado na unidade hospital.

A tosse seca, que interrompia a fala do agricultor por alguns segundos, era a única evidência clínica que ainda persistia no organismo dele um dia depois de ter feito o caminho inverso, de volta para casa, no trecho entre Marau e Passo Fundo. “Eu pensava que era uma gripe normal”, afirmou ele, em uma conversa por telefone, no final da manhã de ontem. As falhas na conexão telefônica, aliás, também tinham uma explicação. A propriedade onde vive fica no interior, no distrito de Laranjeiras, e foi durante as atividades cotidianas da vida rural que os primeiros sintomas começaram a se manifestar. “Eu tinha bastante tosse e dor de cabeça”, lembrou ele.

Dores que, segundo Bassi, começaram a se intensificar de forma gradual. “Esperamos 3 dias até irmos para a cidade consultar”, disse. Sem histórico de viagem, a suspeita da equipe médica foi a de contaminação por contato com outra pessoa infectada porque, como contou Alceu, ele e o pai haviam participado de uma assembleia promovida por uma cooperativa agrícola que atraiu em média, mil espectadores. “Pode ter sido. Na ida para o mercado, não sei muito bem”, mencionou.

Faixa de risco

Ao lado da esposa e do filho de 17 anos, o agricultor divide o terreno com o pai, Honorino. Vivendo no cômodo abaixo, na casa de dois andares, o patriarca da família também testou positivo para coronavírus. “Meu filho já arrumou as roupas aqui e me levou”, lembra Alceu sobre o momento da internação. “Fomos bem atendidos e, no quarto, assistíamos pela televisão os casos graves, soubemos que morria gente”, recorda.

Com idades avançadas e considerados pacientes no quadro de risco - Alceu por apresentar histórico de comorbidade associado à hipertensão, diabetes e obesidade, e Honorino internado aos 84 anos sem outras complicações de saúde -, pai e filho foram isolados na unidade hospitalar. A piora no prognóstico de saúde, os levou à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e postos de internação até a alta médica, na segunda-feira. Emocionados ao deixarem o hospital, eles foram homenageados pelos profissionais da saúde com palmas, que provocaram lágrimas como retribuição e agradecimento. “Não dá para desanimar. É uma doença séria, mas agora vamos nos cuidar, ficar de repouso”, enfatizou Alceu.

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