Começa a faltar gás de cozinha em Passo Fundo

Uma das distribuídoras da cidade entregou os últimos botijões do estoque ao meio-dia de ontem

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Cartaz no portão de entrada alerta consumidores sobre a falta do produto

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O oitavo dia da greve dos caminhoneiros começa afetar o fornecimento de gás de cozinha em Passo Fundo. Na empresa Ultragaz, responsável pelo abastecimento de diversas cidades da região norte do Estado, o estoque terminou ao meio-dia de ontem. A última carga recebida na empresa ocorreu ainda na quarta-feira da semana passada.


A mesma situação é enfrentada pela PW, responsável pela distribuição do Nacional Gás. A empresa possui quatro depósitos em Passo Fundo e está com o estoque zerado há quatro dias. Além de abastecer diversos estabelecimentos comerciais, principalmente restaurantes e padarias, também fornece gás para 10 revendedores, e possui quatro caminhonetes que atendem a tele-entrega. Ao todo, são pelo menos 20 funcionários parados.


Somente no depósito instalado no bairro Petrópolis, há cerca de mil botijões vazios. Gerente do estabelecimento, Marlon Costa, diz que alguns restaurantes estão fechando as portas em razão da falta do produto. "Teve um que me ligou agora pouco desesperado. Sem gás não tem o que fazer. Não dá pra fazer a comida no microondas", observa.


Ao mesmo tempo em que contabiliza os prejuízos provocados com a paralisação dos caminhoneiros, o funcionário aprova o movimento. "Tinha que acontecer alguma coisa nesse sentido para mudar essa política. De janeiro até agora tivemos pelo menos uns três reajustes e repassamos apenas um para o consumidor. Estamos vendendo o gás de cozinha entre R$ 65 a R$ 70 na tele. Um preço competitivo. Em Erechim já está custando R$ 90", afirma.


Mesmo tendo fixado dois cartazes no portão de entrada da empresa, informando sobre a falta de gás, a movimentação de consumidores atrás do produto foi intensa durante todo o dia.


Trabalhando no setor há 20 anos, Sérgio Atônio Muiz Ribeiro, estava preocupado com a situação. Proprietário da distribuídora Gás Ribeiro, no bairro São José, ele e outros três funcionários estão com os braços cruzados desde quinta-feira da semana passada, quando vendeu os últimos botijões. Ribeiro atende pelo sistema de tele-entrega com quatro caminhonetes rodando pela cidade. A média, segundo ele, é de 80 a 100 botijões comercializados por dia. Ribeiro afirma que a situação é a mesma para outros distribuídores na cidade. "Não tem mais gás na cidade. Desde segunda-feira, tem dois caminhões carregados parados em Fontoura Xavier", afirma.


Presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares de Passo Fundo, Edegar Camozzato, informou ontem à tarde que a entidade ainda não havia sido informada sobre a falta de gás nos estabelecimentos, em razão dos estoques. "Pode ter ocorrido algumas situações pontuais. Por enquanto, osestoques estão dando conta. Caso a paralisação se mantenha por mais alguns dias, vai ficar difícil", afirma.


Sindigás emite nota
Ontem à tarde, o Sindigás emitiu uma nota informando a população sobre a situação de desabastecimento. Confira a nota na íntegra
"O Sindigás informa que algumas praças ainda possuem um estoque mínimo de GLP, apesar da situação caótica do abastecimento do produto em todo o Brasil. Por ele ser armazenável, tem a vantagem de permitir ao consumidor contar com uma reserva, em média, de até 22 dias. Grevistas e forças policiais estão permitindo apenas a passagem de caminhões com GLP granel para abastecer serviços essenciais, como hospitais, creches, escolas e presídios. Porém, caminhões com botijões de 13kg, 20kg, 45kg vazios ou cheios com nota fiscal a caminho das revendas não são reconhecidos pelos grevistas como abastecimento de um serviço essencial, o que é um equívoco, pois o produto nessas embalagens também pode ser destinado ao abastecimento de serviços essenciais. O setor de GLP trabalha com uma logística reversa, na qual é imprescindível o retorno dos botijões vazios às bases para serem engarrafados. O Sindigás reitera que há gás nas bases. O problema no abastecimento deve-se às dificuldades de escoamento do produto pelas rodovias do país. É necessário que grevistas e as autoridades que atuam nesse momento de crise, como Polícia Rodoviária Federal, ANP, Exército, entre outros atores, compreendam que o GLP é um produto essencial para o bem-estar da população e que permitam o trânsito das carretas a granel e dos caminhões com os botijões, sejam vazios ou cheios".

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