Laudo afasta presença de sangue em hóstias encontradas em lixeira

Cor vermelha pode ter sido provocada por organismos provenientes da própria farinha usada no produto

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Ministro suspeita de que as hóstias tenham sido retiradas do sarcrário da igreja São Francisco das Chagas

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O mistério em torno das hóstias que apresentaram coloração vermelha ao entrarem em contato com a água, foi desfeito ontem à tarde. Uma análise laboratorial confirmou que não há nenhum vestígio de sangue no material, como chegaram a suspeitar algumas pessoas. Conforme o laudo, que deve ser entregue hoje, 'provavelmente trata-se de organismos provenientes da própria farinha de trigo usada na produção das hóstias'.


As teorias e dúvidas em torno do material começaram a surgir há cerca de um mês, depois que a pessoa responsável pela limpeza da igreja São Francisco das Chagas, na Cohab I, em Passo Fundo, encontrou três hóstias dentro da lixeira, na sacristia. Ela entregou o material para o ministro Claudomiro Jesus da Silva, que imediatamente adotou o procedimento indicado pela igreja nestes casos.


"Coloquei dentro de um copo de plástico com água para se dissolverem. Após, essa água é colocada em alguma planta", explicou. Entretanto, cinco dias depois veio a surpresa. Ao conferir, percebeu que havia uma mancha vermelha na surperífice da água. "Fiquei chocado. Nunca imaginei que algo assim pudesse acontecer aqui", revelou.


Intrigado, entrou em contato com o outro ministro da igreja, João Carlos Carvalho, 73 anos, sendo mais de 20 deles dedicados ao serviço religioso. Apesar da experiência, disse ter se emocionado ao se deparar com o inusitado. "No primeiro momento senti um impacto grande. Cheguei a chorar quando vi aquilo. Independente do resultado, acredito ser um sinal de Cristo", disse.


O material foi encaminhado ontem pela manhã para ser analisado em um laboratório particular. À tarde, o pároco da igreja São Vicente, responsável pela paroquia São Francisco das Chagas, padre Carlos Jaro Seski, já havia sido informado do resultado.


Durante entrevista, minutos antes de ter acesso ao exame, ele já havia adiantado que as suspeitas indicavam para alguma reação da farinha com a água. Cauteloso, disse que preferia aguardar o laudo para não dar 'margem ao fanatismo'. Para ele, o sinal que deve ser levado em conta nessa situação, foi o desrespeito da pessoa que jogou as hóstias no lixo. "Não valorizaram um símbolo que é sagrado para os católicos. Um desprezo por algo sagrado de uma religião. A hóstia é o pão que Cristo nos deixou, o alimento espiritual", observou.


Pelo relato dos dois ministros responsáveis pela paróquia, as três hóstias encontradas na lixeira já estavam consagradas. No entanto, eles não sabem se elas foram tiradas do sacrário.


João Carlos contou que as hóstias são compradas e armazenadas em um armário, na sacristia. Apenas ele e o colega Claudomir têm a chave. "No dia da missa, separo a quantidade necessária e coloco no cibório para ser consagrada pelo padre durante a missa. O execente é guardado no sacrário. Pode ter tirado de lá. Depois do ocorrido estamos mantendo chaveado o tempo todo", comenta.

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