Leitura como um ato solidário

Segunda edição do projeto ?EURoeSaúde Jornalizada: a arte literária no HC?EUR? teve início na tarde desta quarta-feira, 1º de agosto, e propõe a leitura como um elemento reparador

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"Eu sou aquela mulher a quem o tempo muito ensinou. Ensinou a amar a vida, não desistir da luta, recomeçar na derrota, renunciar a palavras e pensamentos negativos, acreditar nos valores humanos. Ser otimista”. Declamados na intimidade de uma conversa a dois, os versos de Cora Coralina transformaram a sala de oncologia do Hospital da Cidade em um pequeno sarau. Um a um, os pacientes ouviram e receberam cópias dos versos escritos por Cora e também pelo poeta Carlos Drummond de Andrade. 
 
A leitura foi feita por Laura dos Santos Silveira, Júlia Ana Fachinello e Yasmin Guedes Dias, estudantes do segundo ano do Centro de Ensino Médio Integrado UPF, na tarde desta quarta-feira, dia 1º de agosto. Acompanhados por um dos coordenadores das Jornadas Literárias da Universidade de Passo Fundo (UPF), o professor Miguel Rettenmaier, as alunas deram início a mais uma edição do projeto “Saúde Jornalizada: a arte literária no HC”, promovido pela Jornada Nacional de Literatura em parceria com o Hospital da Cidade, por meio do Núcleo de Apoio ao Paciente Onco-Hematológico (Napon), organizado pela Comissão de Suporte Oncológico e Programa de Residência Multiprofissional HC/UPF/SMS.
 
Em sua segunda edição, o projeto chega de forma mais intimista. Dessa vez, ao invés de leituras para grandes grupos, as alunas se revezam e leem individualmente para cada paciente. “A gente pensou a leitura em duas linhas conceituais que são para nós importantes nesse momento. A primeira é o aspecto intersubjetivo, a leitura como um ato não solitário, mas solidário, em que há uma aproximação entre as pessoas na linha do afeto. E o segundo aspecto é o de formação subjetiva, a partir do momento em que se estabelece a leitura como um elemento reparador em um momento difícil, em alguma situação difícil pela qual a pessoa pode estar passando”, explicou o coordenador. 
 
Como no ano passado, as leituras serão feitas para os pacientes em tratamento quimioterápico e também para as crianças internadas no setor de pediatria e na creche. A ideia, segundo o coordenador, é realizar pelo menos cinco encontros até outubro. “Esse trabalho vai ser um pouco mais tranquilo, para perturbar menos a ordem do tratamento das pessoas”, ressaltou. A atividade faz parte do projeto Jornada em Movimento, que tem o objetivo de dar continuidade às atividades realizadas pelas Jornadas Literárias, com foco na formação permanente de leitores. “É um tipo de acontecimento que vai sempre se estabelecer dentro das atividades e da programação da Jornada”, completou Rettenmaier. 
 
Poesia que acolhe
A timidez inicial logo deu espaço ao acolhimento. Durante os poucos minutos em que estiveram ao lado dos pacientes, Laura, Júlia e Yasmin não apenas compartilharam os poemas que escolheram, mas também permitiram que os próprios pacientes compartilhassem suas histórias e seus desejos. Para Yasmin, participar do projeto é uma forma de poder ajudar as pessoas. “Trazer um pouco de alegria para os dias delas, porque, normalmente, estar dentro de um hospital não é algo bom”, afirmou.  
 
Não é algo bom, mas, por alguns minutos, José Paulo teve um alento. Vindo de Itapema, Santa Catarina, para realizar o tratamento, ele agradeceu e parabenizou à equipe pela iniciativa. “A gente está aqui passando por um problema grave. Quando a gente enfrenta um tipo de câncer, se traumatiza, muitas vezes perde a esperança. E ser acolhido por uma poesia, por alguém, por uma conversa amiga, ajuda a enfrentar o tratamento, isso nos traz um alento, é muito legal”, disse, olhando para a poesia que tinha acabado de ganhar. “Vai ser bem guardada, com certeza”, finalizou. 
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