Não basta ser pai, é preciso participar

Cada vez mais conscientes de seu papel, pais se integram às atividades das crianças e são fundamentais para a formação de uma criança saudável

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Choro de bebê na madrugada é sempre aquela história, a gente sabe que alguém vai abrir mão do precioso descanso para atender ao chamado do pequeno que pode ser algum problema de saúde, fome ou apenas um susto com um sonho ruim, por exemplo. Durante muito tempo esse foi o papel ocupado pelas mães enquanto os pais mantinham-se em seu sono inabalável. Hoje, apesar de não ser uma regra, a realidade é diferente em muitas casas. Os pais, conscientes de que o papel de ambos é igualmente importante na formação da criança, dividem as tarefas e as responsabilidades com as mães e sabem que isso não é ajudá-las, mas sim exercer a sua função dentro da família.


Quando Antônio Carlos Mira, 27 anos, descobriu que seria pai tinha a certeza que a vida mudaria de alguma forma, a rotina, as responsabilidades. Mesmo assim não sabia que seria bem diferente do que ele imaginava. “Mudou muito, principalmente as prioridades que são dela e não minhas. Tudo que a gente faz na vida hoje é por ela e não pela gente”, conta. E isso, nem de longe é uma reclamação. O tom de satisfação e de orgulho na fala a cada vez que se refere à pequena Antônia, que não por coincidência leva o mesmo nome, demonstram que a paternidade tem sido cumprida. “Eu achava que estava preparado, mas eu nunca estive preparado 100%”, brinca.


A parceria entre ele e a esposa Clarissa, na criação da Antônia, se estabeleceu desde a gestação. A participação em consultas e outras atividades já preparavam os dois para a chegada da pequena e também para que ambos se sentissem igualmente responsáveis por todas as atividades. A primeira troca de frada foi inesquecível. “Quando ela nasceu, a primeira fralda eu que troquei e não tinha nenhum tipo de intimidade com isso, mas como a mãe dela recém tinha feito a cesárea eu fiz a primeira troca. Eu fui trocando e a mãe dela foi me falando, faz isso, faz aquilo. Ao mesmo tempo em que foi difícil, porque eu nunca tinha feito, foi emocionante porque era minha filha”, conta como um exemplo da parceria e colaboração entre os dois.


Apesar da falta de experiência inicial, ambos foram aprendendo juntos. Hoje a dificuldade é somente conciliar o tempo do trabalho e do cuidado com a pequena. “Hoje, cuidar ou ficar com ela não é um desafio, o desafio é conciliar o tempo de trabalho e o tempo de ficar com ela. Porque ela não escolhe quando vai precisar e às vezes tem que parar tudo para dar a atenção pra ela”, pontua.


O choro na madrugada
Quando a pequena ainda mamava, quem acordava era a mãe. Hoje, o responsável pelo lanche da madrugada é o pai. À noite, quando ela acorda, é ele quem levanta, prepara a mamadeira e a coloca para dormir novamente. “Foi o combinado”, simplifica. Da mesma forma o revezamento serve para outros cuidados de rotina como fazer comida, dar banho, trocar de roupa, colocar para dormir.


Sobre a relação de cuidado que o pai dele tinha com ele e a que ele tem hoje com a Antônia, ele é taxativo: “É tudo diferente”. E ele explica. “Primeiro porque meu pai nunca teve menina, sempre foi menino e então é diferente. A gente sempre teve expectativa de ter uma menina como irmã e desde que eu tive a notícia que a Clarissa estava grávida eu tinha certeza que era menina. Eu lembro que meu pai dava mama, fazia dormir, mas fazer comida, trocar fralda, eu não lembro, mudou bastante”. Mesmo assim, essa participação não é regra; ele conta que mesmo pessoas conhecidas do casal não se envolvem tanto na criação dos filhos quanto ele.


Sobre se teria outro filho, ele não perde tempo: “se eu pudesse, um dos meus sonhos da vida era ver outro filho nascer, foi a coisa mais emocionante da minha vida. A hora do parto que você vê nascendo. A enfermeira só pesou e colocou no meu colo e tivemos um contato de uns 40 minutos, eu e ela. Se eu pudesse eu queria ter esse momento de novo”. Ele ainda completa: “a vida passa muito rápido e a gente só tem uma oportunidade de estar junto com eles. É só uma vez que a gente tem essa oportunidade e se conseguir aproveitar, é a melhor experiência da vida”.


A paternidade
A psicóloga Caroline Scipioni explica que o pai exerce papeis fundamentais na vida e na formação de uma criança. Ele é a primeira pessoa com quem a criança vai estabelecer uma relação além da relação materna que se forma desde a gestação. Isso é importante para o desenvolvimento individual, prepara para a vida social, ajuda a desenvolver o equilíbrio, a independência e a estabilidade emocional. Ela enfatiza que não devem existir atividades exclusivas da mãe, nem mesmo o pai deve ocupar um papel secundário nesta relação. “Tudo que a criança vai fazer e que tenha a presença do pai, sempre vai ser mais prazeroso”, pontua. Na atuação profissional, a psicóloga percebe que hoje, cada vez mais, os pais compreendem o seu papel e querem estar com os filhos e participar ativamente da sua formação.


Como o próprio Antônio contou lá no início, nem sempre as pessoas estão suficientemente preparadas para a paternidade, assim como é com a maternidade. Caroline explica que essa preparação começa a ser mais intensa desde a gestação, quando ambos devem se envolver, e depois do nascimento é que o pai e a mãe começam a entender as demandas da criança e vão percebendo como educá-la. “Educar um filho é, primeiro, reeducar-se. Precisa se reeducar para entender a demanda e como vamos poder suprir isso para que essa criança vá gerando a sua autonomia. Vou dar aquilo que ele precisa para permitir que se transforme em um sujeito adulto e saudável”, explica.


A psicóloga reforça que ser pai não é um papel secundário. Por isso o envolvimento de ambos é fundamental para tratar questões boas ou ruins que possam surgir. Isso é importante para evitar que apenas um fique responsável por tratar apenas de questões ruins, por exemplo. Além disso, a diferença na forma de visão do pai e da mãe pode contribuir para que determinadas situações sejam resolvidas mais facilmente, ou de forma mais prática e que ajudem a dar estabilidade à criança.

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