Reflexos se agravam na avicultura e bovinocultura de leite

Falta de ração já atinge quase que a totalidade dos avicultores de Passo Fundo. Até o momento, no entanto, não foram registradas mortes de animais. Produtores de leite estão descartando produto

Escrito por
,
em
Produtores descartam leite que não vai para a indústria

Notamos que você gosta de ler nossas matérias.

Você já leu várias nas últimas horas, para continuar lendo gratuitamente, crie sua conta.

Ter uma Conta ON te da várias vantagens como:

  • Ler matérias sem limite;
  • Marcar matérias como lida;
  • Conteúdo inteligente.
Criar contaAcessar
Você prefere ouvir essa matéria?

Os reflexos da greve dos caminhoneiros continuam sendo sentidos em Passo Fundo, especialmente nos setores avícola e de bovinocultura de leite. O abatedouro da JBS continua com as atividades paralisadas e cerca de um milhão de aves que estariam prontas para serem encaminhadas à unidade permanecem nos aviários. Além da falta de ração para estes animais, produtores de leite estão colocando o produto fora por não poderem encaminhar o produto à indústria.


De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais Airton dos Santos, a situação dos produtores destes dois setores têm se agravado com a continuidade da greve. No caso da avicultura, foi acentuada a falta de ração que já era registrada na semana passada. No caso do leite, alguns produtores estão descartando o produto por não conseguirem encaminhá-lo até a indústria. Ainda não há um número oficial, mas produtores estão transformando o leite em queijo na tentativa de amenizar o prejuízo.


O produtor Mauro Colussi Girardi está descartando leite desde a quarta-feira da semana passada. Até ontem, foram descartados cerca de 4 mil litros de leite que seriam entregues à Nestlé, em Carazinho. “Trabalho praticamente só com o leite e se faltou o leite, falta receita. No meu caso eu preferia aguentar essa situação até que desse resultado, porque a situação está complicada para trabalhar”, enfatiza explicando que apesar do prejuízo ele é a favor da mobilização nacional.


Com os problemas para o transporte do leite, a Nestlé de Carazinho ainda não chegou a paralisar as atividades, mas continua operando abaixo da capacidade. Em Passo Fundo, a Italac continua trabalhando, mas não há informação sobre a diminuição ou não na capacidade de operação.


Falta ração para aves
O presidente da Avipenca – que representa os avicultores de Passo Fundo e região – Luiz de Jesus explica que a situação da falta de ração se agravou e, ontem, quase 100% dos avicultores estavam com falta do alimento para as aves. Muitos produtores estão racionando a alimentação dos animais a fim de tentar manter os animais por mais tempo. Até o momento, no entanto, não há registro da morte dos animais. Com relação aos animais que estão prontos para o abate, estes permanecem nos aviários. São cerca de um milhão de aves que deveriam ter sido encaminhadas para o abatedouro da JBS. O frigorífico está sem operação desde a quarta-feira da semana passada. Conforme informações do presidente do Sindicato da Indústria Alimentícia de Passo Fundo, Miguel dos Santos, os 2,1 mil trabalhadores da empresa foram dispensados das atividades pelo menos até a próxima segunda-feira.

 

Posicionamento ACSURS
A Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (ACSURS) manifestou-se, por meio de nota nesta segunda-feira. A entidade diz compreender a legitimidade da paralisação dos caminhoneiros, mas pede ao movimento dos caminhoneiros que se sensibilize e autorize a passagem de cargas vivas e insumos como ração e suplementos nutricionais aos animais que já estão passando fome, ocasionando em mortes e atos de canibalismo.


“A falta de insumos e a retenção do transporte coloca em risco o bem-estar dos animais e afeta diretamente a atividade de mais de 9 mil suinocultores gaúchos, impactando em torno de 700 mil pessoas de forma direta e indireta no Estado do Rio Grande do Sul, que tem a suinocultura presente em 320 municípios. Portanto, mais uma vez, reforçamos a necessidade da passagem de cargas vivas e de insumos (ração, suplementos nutricionais, milho e farelo de soja etc) nos bloqueios instaurados nas rodovias gaúchas”, diz a nota.

Gostou? Compartilhe