Tratamentos alternativos

Práticas integrativas oferecidas pelo SUS buscam auxiliar no combate de doenças e dores

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Oito pessoas estão realizando o tratamento de acupuntura em Passo Fundo

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Para cada dor um tipo de medicamento diferente. Se não toda, grande parte da população brasileira recorre ao uso de remédios quando constata algum tipo de dor ou problema em seu corpo. Em um caminho contrário aparecem as práticas integrativas e complementares oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Com um total de 29 atividades, acupuntura, auriculotemporal e fitoterápicos estão disponíveis na cidade de Passo Fundo para os habitantes não obtiveram resultados ou não querem fazer uso de remédios.

 

Dentro da medicina tradicional chinesa, a acupuntura desembarcou na cidade há dois anos e já foi utilizada por mais de 200 pessoas. A técnica neuro funcional tem como principal objetivo aliviar as dores crônicas, que perseguem os pacientes mesmo medicados. Seu tratamento é feito com agulhas, e é através delas que os pacientes recebem estímulo para que o corpo se regule, dando uma resposta neurológica para cada problema. As respostas tem sido muito positivas, atingindo uma taxa de melhora de 60% a 80% no município.

 

Formado na área, o enfermeiro Rafael Ferreira é responsável pelo tratamento em Passo Fundo. “Na avaliação inicial que a gente faz no paciente, explicamos como a técnica funciona e os benefícios. Eu gosto muito de comparar a acupuntura com uma medicação. Às vezes para um paciente a medicação alivia muito a dor e para outro ela não vai ajudar tanto. Tem pessoas que respondem melhor, desde a primeira vez que fazem, outras nem tanto. Por isso a gente necessita do tratamento com várias sessões para poder ver a resposta fisiológica do organismo de cada um”, argumenta.

 

Neste caminho aparece a Dona Neusa Nunes dos Santos. Aos 59 anos, há pelo menos uma década convive com dores na cabeça, braços, ombros, pé e dedos. Passando por vários médicos, Neusa só encontrou o alívio há aproximadamente um mês, quando passou a fazer sessões de acupuntura. Segundo a própria, as dores melhoraram 90%. “Só no ombro que ainda sinto um pouquinho, mas não é grande coisa”, explica. Antes do tratamento, Neusa sentia dificuldades para levantar e sentar na cama quando acordava de manhã. Seus pé eram praticamente uma bola, sempre inchados. Depois de algum esforço, conseguia se levantar e ao caminhar aliviava minimamente.

 

“Ela tem uma dor cíclica, é uma inflamação na articulação do ombro. Um processo degenerativo, uma artrose na articulação e isso ai ela não conseguir perder. Na maioria dos casos, os pacientes que vem encaminhados pelo laboratório já tem patologia crônica, de difícil tratamento, com medicação, e a acupuntura trabalha como um ajudante na questão de aliviar a dor do paciente e oferecer uma qualidade de vida melhor. Processo degenerativo e artrose não tem cura. Em alguns casos a pessoa fica um bom tempo sem sentir dor ou sente apenas uma dor com menor intensidade do que sentia antes”, expôs o enfermeiro Rafael Ferreira. Marilda Borba Carline, de 74 anos, após tentar vários tratamentos e médicos, também encontrou sucesso na acupuntura. Se tratando desde janeiro de uma neuralgia pós herpética, Marilda constatou melhora logo na primeira sessão. “Já consegui fazer meu serviço dentro de casa”, comemorou. Acompanhando a mãe desde o início do tratamento, Adriana Carline afirma que a melhora é de praticamente 99%.


No entanto, existe todo um procedimento que precisa ser seguido para participar das sessões de acupuntura. Primeiro, o paciente precisa passar pelo laboratório de dor crônicas, onde terá um tratamento convencional, a base de medicamentos. Se não responder positivamente, será encaminhado a Unidade Básica de Saúde (UBS) do Bairro Nene Graeff, onde atua o enfermeiro Rafael Ferreira. Geralmente os pacientes encaminhados possuem algum tipo de dor crônica ou processo degenerativo instalado e passam por dez sessões de acupuntura. Na maioria dos casos conseguem uma grande diminuição da dor e voltam a consultar no laboratório. Rafael ainda ressalta dois pontos importantes do tratamento: primeiro, durante a acupuntura, se o paciente já fizer uso de algum remédio, é recomendado que continue tomando; segundo, cuidar do próprio corpo após o término das sessões é fundamental para um resultado positivo.

 

Para o médico Júlio Augusto Mota, as práticas integrativas são muito importantes pois, através de caminhos e culturas diferentes em relação ao modelo da biomedicina tradicional, conseguirem lidar com o sofrimento das pessoas. Ainda sob o ponto de vista do médico, é fundamental resgatar as culturas do passado. “Antes as pessoas cuidavam uma das outras, mas esses cuidados não significavam necessariamente o uso de medicamentos. Tem muitas doenças que tem uma melhora natural e essas práticas respeitavam isso. Hoje em dia, por mais simples que seja, as pessoas recorrem aos medicamentos”, salientou.


Auriculoterapia e Fitoterápicos
Junto com a acupuntura, que é a principal prática em Passo Fundo, aparecem fitoterápicos e auriculoterapia. Os fitoterápicos são medicamentos feito a partir de plantas, como espinheira-santa e xarope de guaco, e estão disponíveis pelas farmácias do município. A auriculoterapia é usada contra ansiedade, depressão e dor crônica. O tratamento se resume a colocação de sementes em pontos energéticos da orelha, que tenham algum tipo de relação com o problema do paciente. “Esse tipo de terapia tem relação com o corpo humano, mas uma lógica um pouco diferente da tradicional”, explicou a secretária municipal de saúde, Carla Gonçalves, sobre o tratamento que é realizado pela residente Natália Pedó na UBS Adirbal Corralo.

 

Preconceito

Mesmo obtendo alto índice de melhora em seus pacientes, algumas das práticas integrativas sofrem preconceito justamente por não terem muitos estudos que comprovem a real efetividade das atividades. “Diariamente, o que os terapeutas, ou qualquer pessoa que passou sob cuidado de práticas integrativas, observam é que existem benefícios com o mínimo de risco”, esclareceu Carla Gonçalves. Ao contrário do uso de medicamentos, as práticas não possuem nenhum tipo de contraindicação.

 

Novas Práticas

Para totalizar 29 práticas integrativas, mais dez atividades foram acrescentadas pelo SUS no começo do mês de março: Apiterapia, aromaterapia, bioenergética, constelação familiar, cromoterapia, geoterapia, hipnoterapia, imposição de mãos, ozonioterapia e terapia de florais. Na opinião do enfermeiro Rafael Ferreira, a implementação da aromaterapia e bioenergética seriam interessantes. “Aromaterapia é uma técnica que extrai óleos essenciais de plantas para obter concentrados e contribui para o bem estar. Ela é muito interligada com a medicina chinesa porque a energia dos órgãos é a essência. Benefício é a regularização das energias, retira de plantas e forma um aroma que contribui para o bem estar da pessoa. A bioenergética se baseia em técnicas da psicoterapia. Ela atua mais na questão de sentimentos e sofrimentos. Tem a ver com a área da psicologia”, argumentou.

 

Acupuntura, auriculoterapia e fitoterapia, se juntam as outras práticas já disponíveis pelo SUS: yurveda, homeopatia, medicina antroposófica, arteterapia, biodança, dança circular, meditação, musicoterapia, naturopatia, osteopatia, quiropraxia, reflexoterapia, reiki, shantala, terapia comunitária integrativa, termalismo social e yoga. Ainda não disponível em Passo Fundo, reiki, é lembrado pelos profissionais da área. O tratamento é feito pela imposição das mãos, onde através de uma troca de energética é feita a regulação das energias.


Projetos em Passo Fundo
De acordo com a secretaria de saúde da cidade, existem alguns projetos em discussão. Uma das ações, que visa ampliar o número de práticas integrativas, é fazer um diagnóstico para identificar pessoas que possuam formação para trabalhar com as atividades e não estejam exercendo a função no momento. “A formação depende da atividade desenvolvida. Tem algumas práticas que não necessitam nível superior, outras sim. Acupuntura necessita nível superior e especialização. Reiki, por exemplo, não precisa formação específica, porque é aquela imposição das mãos para emitir energia”, expôs Carla.

 

Outra ideia é ter cada vez mais as práticas disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde, deixando de ser restrita a um local específico. Para isso, enfermeiros e médicos ficariam responsáveis pelos cuidados, oferecendo um tratamento mais amplo e específico para suprir as necessidades dos pacientes. “Às vezes, as pessoas precisam muito mais de práticas assim do que medicamentos. Precisam muito mais de uma prática que seja mais ampla, veja a pessoa como um todo, do que apenas um pequeno comprimido”, completou Carla.

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