Um em cada cinco cães irá desenvolver algum tipo de câncer ao longo da vida

Tumores de mama, cutâneos (pele) e hematopoiéticos (células do sangue) são os tipos mais comuns que acometem os pets

Escrito por
,
em

Notamos que você gosta de ler nossas matérias.

Você já leu várias nas últimas horas, para continuar lendo gratuitamente, crie sua conta.

Ter uma Conta ON te da várias vantagens como:

  • Ler matérias sem limite;
  • Marcar matérias como lida;
  • Conteúdo inteligente.
Criar contaAcessar
Você prefere ouvir essa matéria?

Ter um bichinho de estimação que faz parte da família tem se tornado cada vez mais frequente em lares no Brasil. Muitas pessoas escolhem ter um pet pois procuram uma companhia, outros, procuram carinho. Uns buscam ter um cão ou gato como forma de garantir a segurança da casa, e há outros que optam por ter um animal de estimação ao invés de ter filhos. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2013, cerca de 44,3% dos domicílios no país já possuíam pelo menos um cachorro e 17,7% possuíam ao menos um gato. Esse número é equivalente a uma população de 52,2 milhões de cães e 22,1 milhões de gatos. A pesquisa aponta que esses dados vêm crescendo, uma vez que o número de crianças com idade até 14 anos é inferior ao número de pets em lares brasileiros: 44,9 milhões. Essa realidade traz consigo uma outra estatística comum em pets: o aparecimento do câncer.

 

“Os tumores são formações nodulares que crescem em volume e extensão devido a proliferação descontrolada das células. Os tumores podem ser do tipo benigno ou maligno sendo esse último designado como câncer, caracterizando-se pelo caráter infiltrativo aos tecidos e a possibilidade de promover disseminação em gânglios linfáticos e órgãos distantes, as conhecidas metástases”, explica a professora do Curso de Medicina Veterinária da IMED, Dra. Lygia Maria Mouri Malvestio, que possui experiência nas áreas de patologia animal, cardiovascular e geral, cultivo celular e biologia molecular.

 

Atualmente, essa é a principal causa de óbito em cães e gatos, estimando-se que um em cada cinco cães irá desenvolver algum tipo de tumor maligno durante sua vida. “A alta prevalência das neoplasias malignas nas espécies canina e felina estaria correlacionada à maior longevidade dos animais em função dos avanços diagnósticos, terapêuticos e nutricionais na medicina veterinária, como também em decorrência do crescente aumento populacional”, comenta a docente.

 

Atenção aos sinais!

A professora Lygia atenta que os sinais que permitem o reconhecimento do câncer nos pets estão relacionados ao tipo e localização do tumor. “Os principais sintomas são a presença nódulos palpáveis e aparentes, o aumento do volume abdominal, dificuldade para respirar, presença de feridas cutâneas (na pele) de difícil cicatrização, perda de peso sem causa aparente, dificuldade para comer, engolir, defecar ou caminhar, bem como o sangramento espontâneo por orifícios naturais podem ser indicativos da presença da doença”.

 

Grupos de risco

No grupo de risco de raças e faixas etárias com maior predisposição a desenvolver câncer, entre os cães, estão as fêmeas, com idade de 6 a 12 anos, das raças Boxer, Cocker Spaniel, Poodle, Pastor Alemão e Golden Retriever. Já em relação aos gatos, nesse grupo estão os da raça siamês e de pelagem branca. Esses são os que maior apresentam a prevalência para o desenvolvimento de certos tipos da doença, em específico os tumores malignos mamários, cutâneos (pele) e hematopoiéticos (células do sangue).

 

Segundo a literatura, os mastocitomas, neoplasias dos mastócitos que são células que têm origem na medula óssea e tecido conjuntivo, envolvem principalmente os cães braquicefálicos (raças que possuem como característica o focinho achatado). Já os tumores ósseos são mais frequentes nas raças grandes e gigantes.

 

“Quanto às neoplasias mamárias, este tipo tumoral compreende aproximadamente 25 a 50% de todos os tumores diagnosticados, sendo o mais frequente em fêmeas em torno de dez anos idade castradas tardiamente, isto é, após vários estros (cio). Isto ocorre porque os fatores de risco para as neoplasias compreendem a estimulação hormonal (estrogênica), uso de contraceptivos para impedir o cio e alimentação rica em gordura. Sendo assim, a castração precoce, realizada antes do primeiro cio, reduz para 0,05% o risco de desenvolvimento de neoplasia mamária, risco este que aumenta para 8% e 26% após o primeiro e segundo cio, respectivamente. Nas gatas, a neoplasia mamária representa a terceira mais diagnosticada, secundária aos tumores de pele e hematopoiéticos. De maneira semelhante às cadelas, a castração de gatas antes dos seis meses de idade promove uma redução de 91% no risco de desenvolver neoplasia mamária”, alerta a médica veterinária.

 

Os tumores mamários acometem principalmente fêmeas entre 10 e 11 anos de idade, sendo mais raras em animais com menos de 5 anos de idade.

 

Qual a melhor forma de tratamento?

A cirurgia é o método mais efetivo no tratamento da maioria dos tumores sólidos. Através dessa técnica, juntamente com a administração de medicações pré ou pós-operatória, há a possibilidade de destruir ou interromper a multiplicação das células neoplásicas. “Além disso, a quimioterapia é a principal modalidade terapêutica nas neoplasias hematopoiéticas bem como quando a remoção cirúrgica não é possível ou quando o tumor apresenta lesões metastáticas em vários órgãos. Outra técnica de tratamento, consiste na criocirurgia, utilização de baixas temperaturas visando destruir células tumorais, utilizada principalmente na remoção de tumores pequenos em pele, tumores instalados em locais de difícil remoção ou quando os animais muito idosos, por tratar-se de um procedimento rápido com utilização somente de anestesia local”, destaca Lygia.

 

Efeitos colaterais

A professora ressalta que os principais efeitos colaterais após o tratamento do câncer em pets são observados principalmente na quimioterapia e incluem: vômitos, diarreia, redução do apetite e peso, todavia estes podem ser aliviados com uso de medicações. “Durante a terapia, não há queda de pelos em animais com pelagem curta, podendo isso ocorrer em pequena proporção em cães e gatos com pelos longos”.

 

Prevenção

Lygia finaliza fazendo um alerta para os donos de pets, para que fiquem atentos aos sinais. Ela também destaca que a melhor forma de evitar o aparecimento da doença em cães e gatos é por meio da prevenção através de uma série de cuidados: castração precoce, se possível antes do primeiro cio; prevenção da obesidade; vacinação; visitas periódicas ao médico veterinário; utilização de ração balanceada; evitar a exposição prolongada ao sol principalmente aos animais de pelagem branca; e passar filtro solar (específico para os animais) embaixo do focinho e dos olhos principalmente em animais de pelagem branca quando expostos longos períodos ao sol.

Gostou? Compartilhe