Romeiros enfrentam desafio de 80 quilômetros até Ibiaçá

Município deve receber mais de 100 mil fiéis durante o fim de semana

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· 2 min de leitura
Colegas enfrentam o calor e a distância em agradecimento ao bom ano de trabalho

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Os termômetros marcavam 25º graus, por volta das 15h de ontem (sexta), quando três colegas de trabalho iniciaram a peregrinação de Passo Fundo até a cidade de Ibiaçá, onde acontece neste fim de semana, a 68ª edição da Romaria de Nossa Senhora Consoladora. Com mochilas nas costas, roupas e calçados apropriados, e muita disposição, a previsão era concluir as 16 horas de caminhada por volta das 7h deste sábado.
Pelo segundo ano consecutivo, Charles Paiani, 38 anos, Alisson Nunes, 21, e Claudio Danelli, 28, realizam a pé o trajeto de 80 quilômetros que seperam as duas cidades. "Estamos aqui para agradecer pelo bom ano que tivemos, principalmente no trabalho", diz Charles. Conhecedores das dificuldades impostas, principalmente pelo clima quente e pela distância, o trio dedicou três meses de preparação. "A segunda parte é mais difícil, o corpo já está fadigado. Por volta da meia-noite, teremos o apoio de um carro, levando alimentos", revelaram.

Tradição de família
Maria Elizabete de Oliveira, 45 anos, pretende manter uma tradição que se repete há 14 anos. Moradora do bairro São José, em Passo Fundo, ela percorreria, entre o final da tarde dexta-feira, e madrugada de sábado, os 18 quilômetros entre Tapejara e Ibiaçá, acompanhada de um de seus filhos. A intenção é agradecer por graças alcançadas e manter viva a fé que o pai, João de Oliveira, falecido em 2010, mantinha em Nossa Senhora Consoladora. "Quando ele era vivo, a família caminhava de Passo Fundo até Ibiaçá, depois passamos a sair de Tapejara", revela.
A devota, cujo nome é uma homenagem à santa popular Maria Elizabete de Oliveira, pretende passar todo o fim de semana com a família, acampada em Ibiaçá. A barraca e toda a estrutura já estão montadas em local apropriado desde segunda-feira. Enquanto caminha com o filho, Maria terá o suporte do marido, Alan, que segue de carro. "A emoção da chegada é muito grande. Um sentimento que não sei explicar. Penso sempre no meu pai, do quanto estaria feliz por nós", diz emocionada.

"São 68 anos que Ibiaçá abre os braços para acolher os fiéis”
“É semana de Romaria, está um rebuliço”, descreveu o pároco Édio Brezolin um dia antes da abertura das celebrações da 68ª edição da Romaria de Nossa Senhora Consoladora. Com o tema “Mãe que acolhe, protege e envia”, o evento religioso acontece no pequeno município de aproximadamente 4,8 mil habitantes neste final de semana.
Entre o sábado (22) e o domingo (23), são esperados mais de 100 mil devotos que se deslocam a pé, de carro ou em caravana de diversas cidades do estado gaúcho e unidades da federação vizinhas. “São 68 anos que Ibiaçá abre os braços para acolher os fiéis”, disse o padre. Os cortejos ao Santuário, porém, se iniciaram na sexta-feira (14), com as movimentações de romeiros vindos de Santa Catarina e Vacaria. Aos prantos, de joelhos ou alegres, conforme descreveu Brezolin, os católicos se unem em oração de agradecimento e súplica. “Você sente que é algo grandioso, divino”, enfatizou.
Há 68 anos, a comunidade ibiaçaense promove um dos mais importantes eventos religiosos do Rio Grande do Sul, cuja preparação para acolhida dos devotos se inicia nove meses antes das novenas e procissão luminosa que toma as ruas da cidade, no sábado. Em um desses encontros litúrgicos, aliás, o tema da celebração foi sobre as políticas públicas adotadas durante os festejos, na presença de secretários municipais e lideranças locais. Ao todo, como mencionou o religioso, mil voluntários, divididos em comissões que atuam na liturgia, copa e cozinha, segurança, saúde, limpeza e ornamentação, atuam durante a Romaria em Ibiaçá. “Que os romeiros venham com o coração aberto”, aconselhou o sacerdote.

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