Catalogação de espécies favorece o município, entende Comau

A partir do levantamento será possível tratar toda a política de área verde do município

Por
· 3 min de leitura

Notamos que você gosta de ler nossas matérias.

Você já leu várias nas últimas horas, para continuar lendo gratuitamente, crie sua conta.

Ter uma Conta ON te da várias vantagens como:

  • Ler matérias sem limite;
  • Marcar matérias como lida;
  • Conteúdo inteligente.
Criar contaAcessar
Você prefere ouvir essa matéria?

Já está valendo: em seis meses Passo Fundo passará a contar com um inventário arbóreo. A lei, publicada no fim de semana, institui a catalogação de todas as espécies de árvores existentes no município. Para o Conselho Municipal de Arborização Urbana (Comau), a medida não apenas favorece como é essencial à cidade. De acordo com o conselheiro e ex-presidente da entidade, o engenheiro agrônomo Reni Rui Tres, a luta pela instituição do inventário já é antiga. “Só em cima disso que poderemos tratar toda a política de área verde do município”, explica ele. Isso porque hoje não existem estimativas que possam computar todo o volume de espécies existentes na cidade, o que implica no corte ou plantio muitas vezes irregular de árvores em locais inapropriados.


“Não se pode projetar nada sem ter uma base do que já existe no lugar. E não temos dado nenhum sobre isso na cidade. Não temos sequer a área exata da cobertura florestal arbórea na cidade. Ou seja: não sabemos quantas espécies existem, em quantas são. Passo Fundo tem inclusive uma série de árvores exóticas plantadas em calçadas que não deveriam estar nestes lugares. Este é o momento de colocarmos estas questões em pratos limpos”, explicou o conselheiro. O inventário também deverá servir para que a cidade possa contemplar as espécies existentes na Mata Atlântica, da qual a região faz parte: segundo ele, não há como saber se estamos cumprindo a legislação nacional que trata de preservar a Mata Atlântica adequadamente.

 

O Comau participou da criação do projeto protocolado na Câmara pelo vereador Saul Spinelli (PSB). A partir da publicação, a lei tem seis meses para ser regulamentada. Neste período, audiências públicas deverão ser realizadas para tratar de supressão, cortes ou retiradas de árvores. Em seus objetivos, a lei pretende definir diretrizes de planejamento, implantação e manejo da arborização urbana, privilegiando a qualidade de vida e segurança dos cidadãos, além de desenvolver critérios de monitoramento e fiscalização dos órgãos públicos e privados em atividades que tenham reflexo na arborização urbana. O programa de arborização também deve retirar árvores alergênicas ou que são inadequadas à acessibilidade dos passeios públicos. Para a catalogação serão consideradas as espécies predominantes na região, os tipos de solo e hídricas do município e as características climáticas e geográficas das áreas verdes. “São dados essenciais. Hoje quando ocorre a retirada de uma árvore de uma calçada muitas pessoas ligam para o Comando Ambiental da Brigada Militar para denunciar. A questão é que na maioria das vezes essa espécie não é adequada para o local. Temos muitas que, inclusive, prejudicam a saúde das pessoas. Este inventário vai nos dar condições de partirmos para um Plano Municipal de Arborização científico. Até então, é tudo perdido”, pontuou Tres. A primeira reunião do Comau está marcada para março, quando os conselheiros devem debater com mais profundidade sobre o assunto.


O perfil arbóreo de Passo Fundo
Sem um inventário, sabe-se pouco sobre o perfil arbóreo da cidade. De qualquer forma, Passo Fundo possui características que já podem ser percebidas na área urbana. De acordo com a técnica responsável pelo Museu Zoobotânico Augusto Ruschi (Muzar – UPF), Flávia Biondo, temos um número alto de árvores antigas e de grande porte na cidade, além de muitas conhecidas como alergógenas, que causam alergias, como a espécie Ligustro. “É uma árvore que está por todo canto, dá muita sombra e se desenvolve rapidamente, mas possivelmente quando foi plantada ninguém sabia que é uma árvore exótica e, quando na floração, causa muita alergia”, explicou Flávia. Segundo ela, já existem estudos para a substituição da espécie na cidade. “O ideal seria que toda cidade tivesse esta catalogação. Temos muitos problemas de queda de árvores e de acessibilidade, porque muitas árvores foram plantadas inadequadamente embaixo das calçadas, por exemplo. O inventário é essencial para o planejamento de retirada e substituição das espécies, além de pensar no futuro das ruas. Que objetivos temos para a rua ser arborizada? Para sombra? Para atrair animais? Quais serão as implicações desta árvore no passeio público?”, terminou.

Gostou? Compartilhe