Giberela pode atacar lavouras de trigo

Período de chuva prolongado nesta semana favorece o desenvolvimento da doença que pode desenvolver micotoxinas nos grãos

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Os dias seguidos de chuva registrados na semana criaram as condições ideais para o desenvolvimento da giberela nas lavouras de trigo. Produtores que não fizeram o controle preventivo para a doença podem registrar perdas no rendimento e qualidade dos grãos. Os principais sintomas da doença são o branqueamento de espiguetas, as aristas arrepiadas e o chochamento do grão. A preocupação é ainda maior devido a este ano ter entrado em vigor uma lei mais restritiva à comercialização de grãos com ocorrência de micotoxinas desenvolvidas pela doença.

De acordo com o pesquisador da UPF e consultor da OR Sementes Luiz Carlos Gutkoski a incidência da giberela nas plantas é o fator principal para o desenvolvimento de micotoxinas que dificultam a comercialização. No entanto, o fato de o fungo estar presente não é garantia dessa ocorrência. A instrução normativa que entrou em vigor neste ano estabelece limites mais rígidos de tolerância à toxina causada pela giberela.  “Caso tenha toxinas acima da legislação, o produtor terá dificuldade de comercializar o grão”, complementa.

O recebimento do grão com giberela já é um indício da ocorrência das micotoxinas, que é confirmada por meio de testes de laboratório. Além disso, o processo pós-colheita pode influenciar no desenvolvimento.  

Condições de clima
A engenheira agrônoma e pesquisadora da OR Sementes Sandra Maria Zoldan explica que na região sul o desenvolvimento da doença é mais favorável, devido ao período do florescimento do trigo coincidir com os meses de setembro e outubro quando as chuvas são mais frequentes, aliado ao início da elevação das temperaturas. Para os esporos do fungo poderem se desenvolver eles precisam que as espigas  fiquem molhadas por várias horas, quanto maior o período de molhamento maior a ocorrência da doença. “A giberela ocorre a partir do florescimento e vai ocasionar perdas em rendimento e qualidade, porque o grão afetado pode ficar menor e chocho, além de propiciar o aparecimento de micotoxinas prejudiciais à saúde de homens e animais”, pontua.

O controle da giberela precisa ser preventivo. Depois que a doença se manifestou no campo não há como controlá-la. Quando o produtor identifica as condições climáticas, no momento da floração, favoráveis ao desenvolvimento da doença, ele precisa fazer a aplicação dos fungicidas recomendados para a doença.

Os esporos do fungo estão presentes no ar e caem sobre as anteras do trigo esperando as condições ideais para se desenvolverem. A ocorrência não é uniforme, pois a lavoura não floresce em toda a área simultaneamente. Dados de pesquisa apresentados por Sandra mostram que em casos de ocorrência mais severa da doença as perdas no campo podem chegar a 40% da produção.

Outro fator que dificulta o controle da giberela é a tecnologia de aplicação do fungicida. Os agroquímicos precisam atingir as espigas do trigo e isso requer equipamentos específicos que nem sempre estão disponíveis. Estima-se que a eficácia do controle atualmente fique em torno de 70% a 80% nas áreas protegidas preventivamente, devido a essa dificuldade.

A OR Sementes trabalha para o desenvolvimento de cultivares mais tolerantes a giberela. Atualmente dois materiais disponíveis apresentam tolerância moderada: os trigos Pampeano e Topázio. Um laboratório especial montado na empresa permite identificar a maior ou menor tolerância das cultivares desenvolvidas.

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