Uma casa de oito mil garrafas

Construída a partir de materiais recicláveis, moradia alternativa de biólogo custou R$ 22 mil

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A metade da carcaça de um fusca cortado ao meio, encravado na parede, e os degraus que levam até a porta feitos com pneus e pedras, já indicam que o visitante não está chegando numa moradia convencional. Seis meses após o início do projeto, o biólogo Alexandre Giusti, 30 anos, está realizando o sonho de ter uma moradia própria, construída a partir de materiais recicláveis. 
A construção da casa ecológica, na rua 1º de Maio, nº 307, bairro Lucas Araújo, iniciou desde a base, com a utilização de postes, retirados das ruas pela companhia de energia elétrica. Na cobertura, Giusti optou por telhas produzidas a partir de caixas de leite. Além do preço menor, o material, segundo ele, é mais resistente, mais leve e térmico. Entretanto, o que mais chama a atenção na moradia alternativa são as garrafas. Foram utilizadas aproximadamente oito mil delas para levantar as paredes. 
Enfileiradas, amarradas e parcialmente cobertas com cimento, a alternativa de construção desperta a curiosidade de quem passa pelo local. No banheiro foram utilizadas garrafas com cores variadas. Conforme o movimento do sol, a luz refletida nos vidros vai ganhando novas tonalidades ao longo do dia.  
 Parceira desde o início da construção, Ângela Beatriz, a tia Be, como é carinhosamente chamada na família, dá os últimos retoques de tinta em uma das portas. "Lavei muita garrafa. Até massa de cimento aprendi a fazer. Virei mil e uma utilidade. Achei o máximo quando o Alexandre falou do projeto. Agora ele será meu vizinho", brinca. Além dela, a construção contou com muitas mãos e sotaques diferentes. Amigos da Bahia, Argentina e de vários outros lugares, passaram por Passo Fundo e  contribuíram de alguma forma.  
Durante os seis meses de trabalho, Alexandre revela  que o projeto foi se adaptando  conforme o surgimento dos materiais. "As pessoas vinham conhecer e ofereciam tal coisa. Não sabia como fechar a parte de cima, aí um senhor perguntou se eu não queria aproveitar uns vidros que estavam sobrando na casa dele. Os pneus resolvi colocar como escada, junto com as pedras soltas, na entrada principal. Fui improvisando através das doações e com o que conseguia comprar por um valor pequeno", revela. Sem se descuidar com o controle da temperatura ambiente, o biólogo manteve uma abertura no porão  que vai permitir a entrada e circulação do ar por todos os cômodos. 
Na aquisição do fusca, o biólogo investiu R$ 400. A parte dianteira do veículo, aproveitada como uma extensão da parede,  será decorada com almofadas para acolher crianças. A traseira já está servindo de banco coberto no pátio. 
Dividido entre banheiro, cozinha, uma pequena sala e o quarto, no andar de cima, o imóvel erguido por entre diversas bergamoteiras,  teve um custo de aproximadamente R$ 22 mil. Instalado desde o último final de semana na nova moradia, Alexandre ainda precisa dar os últimos retoques no banheiro. 
Assim que concluir completamente a casa, Giusti prentende partir para a segunda parte do projeto, a construção de um salão na parte da frente do terrno. "Vou usar essa parte para realizar meu trabalho com terapia holística, através de técnicas de reiki e cristais. Para realizar as coisas, o verbo é fazer", conclui. 
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