Uma geladeira de livros

Morador desenvolve projeto de incentivo à leitura no bairro Leonardo Ilha

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· 2 min de leitura
Brenda (D), além de doar algumas obras também ajuda a divulgar o projeto entre as amigasBrenda (D), além de doar algumas obras também ajuda a divulgar o projeto entre as amigas
Brenda (D), além de doar algumas obras também ajuda a divulgar o projeto entre as amigas

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Uma iniciativa, aparentemente simples, de um morador do bairro Leonardo Ilha, poderá fazer a diferença no futuro de dezenas de crianças. Preocupando em incentivar o hábito da leitura, ele criou a Geloteca, uma geladeira adaptada que funciona como espécie de biblioteca.

Responsável pelo projeto, Valter Bueno, 56 anos, disse ter percebido ainda na infância a importância da leitura na formação de um estudante. “Meu irmão, um pouco mais novo que eu, era um leitor voraz. Percebia que ele tinha conhecimentos sobre muitos assuntos. Mais tarde, meu filho também adquiriu o mesmo hábito e conseguiu ter uma formação tranquila” afirma.

A partir desta constatação, o comerciante sentiu a necessidade de desenvolver algum projeto que aproximasse as crianças da leitura. Entre as alternativas, chegou a pensar em adquirir sacolas com livros para circular nas casas do bairro, mas através de uma reportagem na TV, conheceu a Geloteca. “Achei interessante o formato do projeto e resolvi fazer o mesmo. Comprei uma geladeira velha por um preço simbólico” conta.

Adquirido o suporte, Bueno ainda necessitava do principal para levar o projeto adiante: os livros. Assim que souberam da iniciativa, vizinhos imediatamente realizaram as primeiras doações. Só de um menino que mora na casa ao lado, ele recebeu 50 títulos de literatura infantil. Aos poucos, foram chegando mais livros, mas o acervo ainda é pequeno. 

A Geloteca está instalada em frente à residência de Bueno. No local funciona uma pequena loja, onde a esposa permanece durante todo o dia. O controle das retiradas e devoluções das obras é feita pelas próprias crianças através de um caderno de anotações mantido na porta da geladeira. O caderno, segundo Bueno, serve para ter uma noção do número de crianças envolvidas no projeto. Embora tenha colocado a seguinte mensagem em cada obra “Divino livro. Leve para ler e traga de volta para que outra pessoa possa fazer o mesmo”, o idealizador diz que a criança também poderá ficar com o livro. “É totalmente livre, não tem prazo para devolução. Peço que devolvam, mas se decidirem ficar também não tem problema” observa.

Aluna do 5º ano da escola Eloy Pinheiro Machado, a estudante Brenda Tanis Santos, 11 anos, é uma das frequentadoras da Geloteca. Além de ter feito algumas doações, ela ajuda a divulgar o projeto para as colegas na escola. “Minhas amigas já conhecem. Elas também retiram livros aqui” conta, revelando sua preferência pelos gibis.

Entusiasmado com a repercussão da iniciativa entre os estudantes, Bueno conta com o orgulho o resultado da experiência de ter deixado dois livros na parada de ônibus existente nas proximidades de sua casa. “Um menino pegou os livros e veio aqui para devolvê-los, mas disse que entregaria apenas um porque estava lendo o outro. Pelas anotações aqui, vejo que algumas crianças já retiraram vários livros. Aos poucos, a iniciativa vai envolvendo estes estudantes” relata o comerciante, que confessa ter se tornado um leitor da Geloteca. “Estou lendo o Triste fim de Policarpo Quaresma, uma história sensacional” conta.

Quem quiser colaborar com o projeto poderá realizar doações. Por uma questão de espaço, são aceitos livros de literatura infantil, juvenil e gibis. O contato pode ser feito através do telefone (054) 3311.0592.

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